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Saúde

Tonturas e vertigens

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09 de março de 2009

Culpa do labirinto?

*Por Marcia Bongiovanni

O labirinto, também conhecido como ouvido interno, congrega as funções da audição e do equilíbrio e serve para manter o equilíbrio do nosso corpo, juntamente com os olhos, as articulações, os tendões e os músculos. Essa complexa interação informa ao cérebro se estamos parados, andando, caindo, girando, inclinando. A tontura ou vertigem aparece quando alguma destas estruturas não consegue mandar as informações da posição da cabeça ou do corpo para o cérebro.

Pode-se, então, dizer que a tontura é a sensação errônea de equilíbrio corporal. Existem mais de 300 quadros clínicos descritos que causam tontura, mas cerca de 85% das tonturas são de origem labiríntica, podendo manifestar-se como sensação de flutuação, afundamento, oscilação, instabilidade, cabeça oca, cabeça pesada, atordoamento, impressão de desvio do corpo para um dos lados, impressão de queda.

A vertigem é o tipo mais comum de tontura, caracterizando-se pela sensação de rotação: o indivíduo sente que está rodando ou que o próprio ambiente está girando ao seu redor. Pode ocorrer ou agravar-se em certas posições corporais ou nas mudanças da posição da cabeça. Mais de 95% das vertigens têm origem no labirinto.

Pacientes com tonturas costumam apresentar, em maior ou menor grau, insegurança, ansiedade, depressão, medo, perda de memória, dificuldade de concentração mental, fadiga física e mental, que afetam de modo considerável a sua qualidade de vida. Devido às relações entre o sistema vestibular e o sistema auditivo, o paciente com tonturas pode apresentar ainda sintomas como diminuição da audição (em um dos ouvidos ou em ambos), dificuldade para entender a conversação, zumbido no ouvido ou na cabeça, sensação de pressão no ouvido e aumento de sensibilidade a sons.

Causas

Várias são as causas de tonturas e/ou vertigens, as principais e mais freqüentes são estas:

Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB): essa vertigem é causada quando os cristais de cálcio (otocônias) se deslocam e caem dentro de um dos canais semicirculares, levando à vertigem quando se movimenta a cabeça. Neste caso, o tratamento não é medicamentoso, e sim com uma manobra para recolocar os cristais no local.

Enxaqueca Vestibular ou Migrânea Vestibular: muitas vezes, a tontura pode ser desencadeada por ou estar relacionada à enxaqueca.

Problemas metabólicos como alterações do nível de açúcar no sangue: são causas importantes de tontura, pois o labirinto consome muita energia derivado do açúcar. Nesses casos a dieta alimentar e o acompanhamento com nutricionista é o melhor tratamento.

Doença de Ménière: outra causa importante onde a pressão do líquido dentro do labirinto e do ouvido aumenta, levando a uma tontura acompanhada de uma diminuição da audição e/ou zumbido.

Doenças cardiovasculares: podem levar à tontura devido a diminuição da irrigação do labirinto. Assim como problemas cervicais.

Quadros infecciosos: podem levar a uma inflamação do nervo vestibular, levando a uma tontura intensa, chamada de neurite vestibular.

Labirintite: é uma causa muito pouco comum de tontura. Ela seria uma infamação do labirinto e muitas vezes, está associado a uma perda auditiva. Está acompanhada de um processo infeccioso.

Tumor: é uma causa rara, e muitas vezes, está associado com uma perda da audição.

Problemas psicológicos: podem ser a causa, assim como conseqüência da tontura.

Estas são algumas das causas, pois existem centenas de outros fatores que podem levar à tontura. Essas causas podem estar isoladas ou associadas, sendo assim, a tontura pode ser devido a mais de um fator.

Como diagnosticar

O diagnóstico dependerá principalmente da história e do exame otoneurológico que analisa as funções auditiva e do sistema vestibular, por meio de diversos procedimentos.

Audiometria completa: A avaliação da audição muitas vezes é necessária, pois o labirinto está intimamente ligado ao nosso sistema auditivo. Assim, vários problemas auditivos podem levar à tontura, e vice-versa.

Vectonistagmografia Computadorizada: Esse exame confirma se o problema é ou não do labirinto. Caso seja, indicará se é do sistema nervoso central ou periférico. Se for do labirinto, se é do lado direito ou esquerdo ou bilateral, assim como, se é irritativo (quando o labirinto funciona demais) ou deficitário (quando o labirinto funciona menos). Este exame por si só não mostra a causa, mas junto com a história e o exame físico, o médico consegue identificar a causa ou afastar doenças mais graves.

Video-Frenzel:  Auxilia muito no diagnóstico da Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), vertigem que ocorre em determinadas posições da cabeça, como, por exemplo, virar para um dos lados quando deitado, estender roupa no varal ou alcançar uma gaveta localizada acima da cabeça. Confirma a suspeita, além de indicar qual o lado do labirinto e em qual o canal que está o problema, pois, para cada local, há um tratamento diferente.

Outros exames podem ser solicitados, ficando a critério do médico e dependendo da sua suspeita.

Como tratar

A tontura e/ou vertigem é um sintoma, e não uma doença. Assim, devemos achar a causa, ou as causas, para escolher o melhor tratamento que visa eliminar ou atenuar as tonturas e sintomas associados. Com o tratamento adequado, um número relevante de pacientes tem obtido melhora expressiva ou cura de seus distúrbios labirínticos. O tratamento pode ser medicamentoso, manobras de reposicionamento otolítico, reabilitação vestibular, dieta alimentar e/ou alterações de alguns hábitos, dependendo da causa. Muitos pacientes continuam com a tontura devido a um diagnóstico incorreto ou a um tratamento inadequado.

* Marcia Bongiovanni é fonoaudióloga, especializada em Distúrbios da Comunicação Humana. 



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