Saúde

Síndrome de Tourette

Gestos, palavras e tiques involuntários

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29 de agosto de 2014

A síndrome de Tourette é uma desordem espasmódica em que a pessoa sofre de vários tiques nervosos, na maioria motores, mas, pelo menos um tique vocal. Os tiques se iniciam na infância ou na adolescência, dificultando o relacionamento e a integração da criança e do jovem.

São tiques, motores ou vocais, involuntários como franzir a testa, chutar, balançar a cabeça, piscar, tossir, fungar, limpar a garganta, balançar o ombro, repetir um mesmo som, e muitos outros tipos de espasmos que chegam a ser confundidos, por quem assiste, como voluntários e propositais, provocando reações de chacota ou de censura.  Em casos mais raros, a síndrome pode se manifestar pelo uso, também involuntário, de palavras e gestos obscenos, de insultos, ou simplesmente pela repetição das palavras ou das frases ditas por outra pessoa. 

Os tiques não são constantes. Alguns pacientes podem ter espasmos diariamente, outros de forma mais espaçada, mas, em geral, esses espasmos ocorrem em ataques intermitentes e são de tipos diferentes, variando no decorrer de uma semana ou de um mês para o outro. Esses espasmos tendem a piorar em situação de estresse.

A síndrome sempre se manifesta antes dos 18 anos e, em geral, os primeiros sinais acontecem por volta dos seis/sete. Os tiques tendem a se agravar entre 8 e 12 anos, diminuindo bastante depois disso.

Embora pouco se conheça sobre as causas da síndrome de Tourette - que ganhou esse nome em razão do relato do médico francês Gilles de la Tourette, em 1885, sobre nove casos da doença -  sabe-se contudo que sua origem é genética. Estudos levam a suspeitas de que os tiques resultam de anomalias no cérebro,  na região do tálamo, gânglios da Base e córtex frontal e em possíveis disfunções dos neurotransmissores entre as células nervosas do cérebro.

A ocorrência dos tiques pode estar associada a sintomas obsessivo-compulsivos (TOC) e ao distúrbio de atenção e hiperatividade (TDAH). Cientistas acreditam que existam fatores hereditários comuns entre a síndrome de Tourette e esses transtornos.

Tem tratamento?

A síndrome de Tourette é uma desordem que não tem cura, mas pode ser controlada.

Dependendo do quanto a síndrome afeta a vida do paciente, o tratamento pode envolver terapia comportamental, medicação e estimulação profunda do cérebro. 

A terapia comportamental cognitiva, conhecida como tratamento de reversão de hábitos, se baseia no treinamento dos pacientes para que eles aprendam a monitorar as sensações premonitórias e os tiques. Assim, o paciente é treinado a identificar melhor quando um tique vai ocorrer para, então, realizar uma resposta competitiva usando os mesmos músculos que o tique usaria: no caso, por exemplo, de sofrer de um tique de encolhimento dos ombros, uma resposta competitiva seria esticar os músculos do pescoço e empurrar os ombros para baixo.

O diagnóstico é difícil e dá-se por exclusão de outras patologias. Mas é importante que os pais, ao notarem alguma forma de movimentos involuntários em seus filhos, procurem ajuda médica para que possam dar todo o apoio possível à criança ou ao jovem, que precisa sobretudo de tratamento e não de repreensão e crítica.

Os professores e a escola também precisam se engajar, ajudando a criança ou jovem na sua integração, conscientizando e trabalhando os colegas para conviverem e respeitarem as diferenças e as dificuldades de cada um.



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