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Tradutor: uma profissão muito presente no cotidiano das sociedades

José Martinho Gomes | Tradutor e intérprete

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Algumas profissões estão presentes em nosso cotidiano sem que sequer percebamos. Um filme estrangeiro, por exemplo, passatempo favorito de muita gente, só é interessante após receber as legendas, caso contrário seria ininteligível para muitos. Por trás deste serviço, há profissionais gabaritados e com anos de prática: os tradutores.

Para entender este ofício e muitos outros (tradução de documentos oficiais; interpretação; etc), conversamos com José Martinho Gomes, tradutor público (juramentado) e intérprete comercial há 9 anos. Ele é Mestre pela USP em Língua Inglesa e Literaturas Norte-Americana e Inglesa, no ramo de Tradução Literária, e professor universitário há 7 anos. Professor da UniSantos nos cursos de Letras e Tradução e Interpretação, especificamente, há 3 anos e Professor de línguas há 19 anos. Também é professor do centro de línguas CELLEP há 11 anos. Detentor dos diplomas de proficiência em língua inglesa da Universidade de Cambridge (CPE), Universidade de Michigan, TOEFL, TOEIC e Universidade de Miami.

Como trabalha um tradutor?

A visão clássica do tradutor é a do profissional autônomo e solitário, que tem como ferramentas principais o computador, a Internet e os dicionários, tanto físicos como eletrônicos. Geralmente, atua sob demanda, cumprindo prazos de entrega pré-estabelecidos entre as partes interessadas.

Hoje em dia, porém, o tradutor tem uma gama maior de possibilidades. Ele pode trabalhar para uma agência de tradução que atua em diversas áreas, envolvendo a tradução de manuais e sites (chamada de localização), por exemplo. Pode ainda ser contratado por uma empresa de legendagem e dublagem, ou ainda ser um tradutor público, popularmente conhecido como tradutor juramentado. Pode, também, trabalhar para uma editora e dedicar-se à tradução literária.

Lembremos que as perguntas não se referem aos outros 50% do curso oferecido pela Unisantos, a profissão de intérprete. Coloco aqui também a descrição do ofício de intérprete.

O intérprete, diferentemente do tradutor, que lida com textos escritos, faz a intermediação oral entre falantes de línguas distintas. Pode atuar como intérprete de conferência, normalmente na modalidade simultânea, em que, com auxílio de aparelhagem apropriada e em cabine, acompanha quase ao mesmo tempo o palestrante. Há a modalidade consecutiva, em que o intérprete, normalmente ao lado do palestrante, toma a palavra imediatamente após determinados trechos proferidos. Há, ainda, outras modalidades de interpretação dependendo da situação, como a sussurrada e a de acompanhamento.

Pode, em última instância, servir a órgãos oficiais, governamentais ou mesmo transnacionais, como a ONU ou o Parlamento Europeu.

Com que profissões ele interage no cotidiano?

Há necessidade de tradução para virtualmente todas as áreas profissionais e acadêmicas, devido a introdução e troca de novos conhecimentos e tecnologias quase que diariamente. Assim, o tradutor interage com os mais diversos profissionais, um engenheiro que o auxiliará na tradução de um manual da área ou um médico quando da tradução de um tratado, livro ou artigo, por exemplo.

Em todos os casos, o tradutor geralmente aprofunda-se no assunto, recorre a especialistas do ramo em questão, constrói e estuda glossários e, não raro, especializa-se em uma determinada área.

Da mesma forma, o intérprete pode prestar serviço em simpósios e conferências (ou acompanhar profissionais) das mais variadas áreas: medicina, psicologia, política, entretenimento, etc. A preparação, mais uma vez, é condição sine qua non para o sucesso do profissional.

Como é o curso e que disciplinas são mais importantes na formação de um tradutor?

O curso está estruturado em 2 habilitações: a de tradutor e a de intérprete. Na habilitação de tradutor, ao aluno são oferecidas disciplinas de dois ramos: o de tradução, propriamente dita (do inglês para o português), e o da versão (do português para o inglês).

Primeiramente, ele percorre as disciplinas de fundamento, como Produção Textual, Conversação e Compreensão Oral em língua inglesa, entre várias outras. Posteriormente, ele avança para as específicas, como Tradução Comentada e Versão Comentada. Uma das novidades do curso é a disciplina de Legendagem, já oferecida nos primeiros semestres. Temos, também, disciplinas que se dedicam à teoria e às técnicas de tradução. Na habilitação de intérprete, basicamente o mesmo acontece, com destaque para as especificidades consecutiva e simultânea.

O que é um tradutor público? Ele é aprovado por concurso?

O tradutor público é detentor de fé pública, o que vale dizer, suas traduções são aceitas em repartições públicas e instituições acadêmicas como se fossem os próprios documentos originais, como contratos, carteiras de identidades, diplomas e históricos escolares, por exemplo. Ele também acumula a função de intérprete comercial, atuando junto a tribunais e órgãos públicos como mediador em querelas e pendências judiciais, por exemplo.

Não há uma periodicidade estabelecida para que os concursos ocorram. Em um espaço de mais de 30 anos, houve apenas 3 no estado de São Paulo, o último em 1999. Apenas quando há a necessidade por falta de profissionais no mercado, as Juntas Comerciais de cada estado resolvem abrir concurso. Somos nomeados pelo próprio governador do estado em vigência e nos pautamos pelas deliberações da Junta a que estamos subordinados, inclusive com relação a preços a cobrar e prazos a cumprir.

Como anda o mercado para tradutores no Brasil? Onde estão as melhores oportunidades?

O mercado para tradutores é bem estabelecido entre as editoras, com relação à tradução e a revisão de livros e revistas. Há uma crescente demanda por profissionais na área de legendagem e dublagem se considerarmos o número expressivo de canais de tv aberta e, principalmente de tv fechada. O profissional pode também optar por trabalhar como autônomo ou para uma agência de tradução.

O intérprete também tem uma boa perspectiva à sua frente se levarmos em consideração o número significativo de congressos e seminários, bem como o permanente trânsito de estrangeiros em nosso país, ou ainda as cada vez mais empregadas tele ou vídeo-conferências.

A grande São Paulo, naturalmente, oferece as melhores oportunidades, mas há espaço inclusive em nossa região. Em nossa cidade, além de todas as possibilidades atreladas ao porto de Santos, há, por exemplo, uma renomada empresa de legendagem e os constantes simpósios e encontros em um importante centro de convenções.

Porém, o profissional tem de estar muito bem preparado para enfrentar a acirrada concorrência do mercado e nunca parar de se aperfeiçoar no que se refere às línguas e às técnicas necessárias ao ofício.



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