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Os acontecimentos mais recentes do Brasil e do mundo estão sempre presentes nas provas e redações dos vestibulares de todo o país. Para não ficar por fora, confira as matérias publicadas quinzenalmente nesta seção!


QUEM SÃO OS BRASIGUAIOS?

"Brasiguaios" é como são chamados os brasileiros, e seus descendentes, estabelecidos na República do Paraguai. Eles imigraram e se instalaram em áreas próximas à fronteira brasileira, na época da construção da Hidroelétrica de Itaipu.

Como o megaprojeto exigiu a desapropriação de terras, muitos agricultores do Estado do Paraná foram desalojados. As baixas indenizações recebidas empurraram esses colonos paranaenses para o território paraguaio, atraídos pelo preço das terras no país vizinho e pela revogação, na ocasião, da lei paraguaia que impedia a venda para estrangeiros das terras próximas às fronteiras.

Os brasiguaios, que na sua maioria têm descendência européia, num período de 30 a 40 anos, se multiplicaram e prosperaram em solo paraguaio, trazendo crescimento econômico para o país, especialmente na agricultura, com a plantação de soja. O Paraguai se tornou um dos principais exportadores mundiais do produto.

Fora a agricultura, que é a atividade econômica mais importante do país, a economia paraguaia é pobre e bastante dependente dos comerciantes dos países vizinhos (como os sacoleiros brasileiros) que vão à região comprar produtos como cigarros e eletrônicos por preço mais barato, mas de origem duvidosa. Boa parte da população vive da economia informal, já que a industrialização se limita a produtos agrícolas, florestais e alguns bens de consumo.

Uma fonte importante de divisas vem das hidrelétricas de Itaipu e Yacyreta, pois os excedentes da energia não utilizada pelo Paraguai são adquiridos pelo Brasil e pela Argentina.

Conflitos com os nativos

Mas, ao invés de integração entre nativos e imigrantes (paraguaios e brasiguaios), o que vem ocorrendo são conflitos que se aproximam da xenofobia (aversão a estrangeiros).

Os paraguaios acusam os brasileiros de ocuparem suas terras, afirmando que elas foram ilegalmente adquiridas, em prejuízo do povo nativo. Invasões lideradas por Movimentos de Sem-Terra têm ocorrido, expulsando pequenos produtores brasiguaios de suas lavouras e impedindo que eles vendam ou plantem nas terras que habitam e cuidam há pelo menos vinte anos.

Parte dos brasileiros não consegue comprovar na Justiça que são donos das terras, pois muitos fizeram acordos, quando chegaram à região, com colonos paraguaios, sem registro de títulos. Há cerca de 20 anos, o governo paraguaio demarcou e distribuiu, em alguns departamentos (estados), a título de reforma agrária 10 hectares de terra para camponeses nativos, que, por não terem intimidade com a lavoura, acabaram vendendo a gleba para brasileiros, muitas vezes em acordos verbais. 

Há também os brasiguaios que possuem não só as escrituras das terras que ocupam há décadas, como também os recibos de pagamentos efetivados ao Banco Nacional de Fomento (BNF) em favor do Instituto de Bem-Estar Rural (IBR).

Mas o atual presidente do INDERT - Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra, órgão substituto do IBR, alega que o antigo IBR emitiu escrituras falsas para os agricultores e estes enfrentam uma batalha judicial, de grande influência política, que pode terminar na perda das terras que utilizam há mais de 20 anos.

As terras em disputa estão cobertas por plantações diversas, como soja, amendoim, mandioca e algodão. Também existem alguns silos e outras benfeitorias.

Ponto e contraponto
 
Os paraguaios acusam os brasileiros de se segregarem: de falarem sua própria língua, de usarem uma moeda própria, de hastearem a bandeira de outro país e de possuírem as melhores terras em território paraguaio. Numa onda forte de nacionalismo, reclamam de que a segunda língua dos filhos dos brasiguaios é o português, em vez do guarani. Em discursos inflamados afirmam que há uma ameaça real à soberania do Paraguai, que precisa recuperar e fazer valer a própria identidade.

As futuras autoridades acusam agricultores brasileiros de violarem a lei ambiental que proíbe o uso de alguns produtos químicos, de não preservarem, como exige a lei florestal, as terras localizadas nas proximidades dos rios paraguaios e de possuírem grandes extensões de terra, apesar de serem estrangeiros. 

Os brasiguaios alegam que seus filhos sempre foram discriminados na escola e que a Justiça paraguaia está contaminada pela política anti-Brasil que vigora no país.

Cada um dos lados espera encontrar em Lugo, novo presidente eleito, que tomará posse em 15 de agosto, as respostas para suas demandas. Os brasiguaios esperam ainda que o presidente Lula pressione o novo dirigente para que os cerca de 350 a 500 mil brasileiros que vivem no Paraguai tenham seus direitos respeitados.

Certamente abusos existem dos dois lados. O difícil é colocar ordem com justiça e equilíbrio num ambiente de comoção nacional. 

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