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Sempre uma entrevista com um
grande profissional!

Da biologia para o mercado de créditos de carbono

Pablo Fernandez | Executivo na área de meio ambiente

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Cada vez mais, o meio ambiente é uma preocupação real de governos, empresas e a sociedade em geral. Investir nele ode ser um diferencial para as empresas no futuro, trazendo um novo estímulo para os profissionais na área. Biólogo de formação e especialista em Planejamento Energético e Ambiental, Pablo Fernandez trabalha com mercado de créditos de carbono desde a sua especialização e, atualmente, é gerente para desenvolvimento de negócios em uma importante empresa voltada para o setor de petróleo e energia com base na Suíça. Na entrevista, Pablo explica como é o mercado de crédito de carbono, fala da formação para esse tipo de profissional e comenta como está o mercado de trabalho na área e as perspectivas para ele no futuro, no Brasil e no mundo.
 
Como é o dia a dia de quem trabalha com mercado de créditos carbono? O que um profissional dessa área faz exatamente?
 
Como todo mercado, existe diversas atuações. O mercado de carbono demanda pessoas na área de vendas, consultores para desenvolvimento de projetos, certificadores para assegurar independência na avaliação dos projetos, órgãos governamentais regulando o mercado, advogados preparando contratos, pessoas especializadas em finanças ou economia para estruturação de operações financeiras com esse tipo de ativo, dentre outras. Uma das poucas questões em comum em todas as áreas de atuação é o inglês como língua e uma série de normas internacionais como referência. Com o surgimento de mercados de carbono nacional (não no caso brasileiro, mas do México, Coreia, África do Sul, dentre outros, que estão criando mercados locais), pode ser que essa tendência mude e os idiomas locais locais também se tornem importantes. 
 
Outro ponto de destaque  está no fato de o mercado de carbono ser apenas  um dos aspectos de uma questão muito mais ampla: mudancas climáticas. Uma pessoa capacitada para lidar com mercado de carbono deve também estar preparada para lidar com vários aspectos relacionados às mudanças climáticas, indo de opções tecnológicas para processos industriais ou geração de energia, passando por estratégias corporativas, ou adaptação aos novos padrões climáticos, ou mesmo definir novas medidas legais sobre o tema.

Quais são as características importantes para um bom profissional na sua área?
 
As características mais importantes para o meu sucesso até o momento foram: cabeça aberta para se atualizar, muita vontade de aprender, tomar iniciativa de ir atrás das oportunidades que aparecem. 
 
Foi assim que passei do meio acadêmico em biologia para a iniciativa privada em mudancas climaticas, e foi assim que acabei indo parar na Malásia antes de me estabelecer na Suíça.
 
O que a especialização em Planejamento Energético e Ambiental agregou para a sua carreira?

A emissão de CO2 está relacionada a dois aspectos principais: consumo de combustível fóssil e desmatamento. Enquanto o primeiro caso tem um forte relacionamento com a questão energética, o segundo se aproxima mais da parte ambiental. O mestrado nessa área me permitiu ser um especialista na questão. Além de uma série de professores especializados no assunto, tive a oportunidade de desenvolver meu próprio projeto de pesquisa e me aprofundar nas questões acima. E o fato de ter feito o mestrado enquanto trabalhava, me permitiu aplicar os conhecimentos novos nas minhas atividades do dia a dia.

Como está o mercado de trabalho para quem trabalha na área ambiental? As empresas estão investindo nesse segmento?
 
O mercado de carbono, especificamente, vem passando uma uma grande crise internacional. A continuação do protocolo de Kyoto depende de um acordo entre os governos de todos os países do mundo. Enquanto esse acordo nao vem, participantes privados vêm perdendo a confiança, e com isso, o mercado hoje se encontra em retração. Mas essa é uma situação que todos esperam que mude nos próximos meses/anos, quando tivermos a rodada final de negociação em dezembro de 2015.
 
Entretanto, a questão ambiental e climática é muito mais ampla que o mercado de carbono. De forma geral, empresas estão cada vez mais incluindo temas de mudanças climáticas e sustentabilidade dentro da estratégia. Enquanto, há anos, empresas consideram a questão ambiental como uma "licença para operar", como mais um custo produtivo, hoje empresas modernas incluem sustentabiliade como um aspecto primordial em sua estratégia, como um agente de diferenciação no mercado. E o que elas buscam é um profissional que possa transformar as questões e desafios ambientais em oportunidades. 
 
A impressão ao acompanhar um pouco esse mercado de crédito de carbono, tenho a impressão de que ele ainda está se desenvolvendo, é que ele ainda está se desenvolvendo, principalmente no Brasil. O que um jovem que pretende seguir essa área pode esperar do mercado de trabalho no futuro?
 
O Brasil tem uma legislação sobre mudancas climáticas muito recente. Em 2009, o Governo Federal aprovou a Lei de Política Nacional de Mudanças Climáticas. Uma série de instrumentos e mecanismos previstos pela lei ainda está em processo de desenvolvimento e regulamentação. Por exemplo, a lei prevê a criação de um mercado de carbono brasileiro, da implementação de metas de redução de emissão de carbono por parte das empresas, mecanimos de promoção de atividades sutentáveis, criação de linhas de financiamento para atividades que diminuam as emissões de carbono, dentre outros. A medida que essas iniciativas são implementadas, oportunidades de trabalho e de negócios vão surgir. Um bom exemplo é a Bolsa Verde do Rio (BV-Rio), uma instituição pioneira que vem tentando fomentar a criação de um mercado de ativos ambientais no Brasil na área de carbono, preservação florestal, destinação de resíduos, dentre outros. O amadurecimento desse mercado deverá levar a uma grande expansão na demanda de pessoas qualificadas e especializadas nessas áreas.
 
Qual é a importância do curso de Biologia no seu trabalho diário?
 
Em relação ao conteúdo, eu não uso muito do que aprendi na universidade. Entretanto, vários conceitos são utilizados, como métodos de pesquisa, formas de visualização de dados, tratamento estatístico de dados, preparação de textos técnicos, dentre outros. 
 
A verdade é que, hoje, encaro a biologia em si (zoologia, botânica e outras áreas) mais como um hobby, como algo que me ajuda no dia a dia pessoal do que uma ferramenta profissional. E embora eu não use esses conhecimentos biológicos na minha vida profissional, continuo sendo uma pessoa apaixonada por Biologia! Não tenho nenhum arrependimento da minha escolha.



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