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Restaurador de papel- Cuidando da história

Ozana Hannesch | Restaurador de papel

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A história é a essência da humanidade e cabe às pessoas e, principalmente, aos países, tomarem todas as providências necessárias para preservá-la. Nesse sentido, o restaurador tem um papel importante, pois é ele quem cuida para que os objetos históricos preservem suas características mesmo após décadas ou séculos de exposição. Arquivista de formação, com especialização em conservação de bens culturais móveis, Ozana Hannesch é especialista em restauração de papel e conta abaixo um pouco dessa profissão tão importante para a cultura brasileira e mundial.

O que faz um restaurador de papel e qual é o seu campo de atuação?

Este profissional executa tratamentos de intervenção direta em documentos histórico-culturais, dentro de princípios e critérios que respeitam a integridade e a autenticidade do bem cultural, a fim de restabelecer as condições para seu uso e consulta para gerações presente e futuras. O campo de atuação é na área de museus, arquivo e bibliotecas que tenham acervo histórico, assim como instituições e centros de memória, coleções artísticas de gravuras, aquarelas e outras obras de arte em papel. A Restauração de papel é uma especialidade. Há restauradores de escultura policromada e tela; há os que trabalham em obras de arte e arte sacra; de pintura mural, que trabalham junto à arquitetura atuando em bens integrados; de tecido, que trabalham com vestuário, flâmulas e tapeçaria histórica; de madeira, que trabalham com mobiliário histórico; de metais, que atuam com instrumentos científicos e obras de arte moderna, entre outros.
 
Qual é a formação necessária para alguém se tornar um restaurador de papel? 

No Brasil, atualmente, há cursos técnicos e de graduação, com distintas amplitudes e aprofundamentos. Conhecimentos de: legislação do patrimônio cultural; química; fabricação de papel e tintas; agentes de degradação dos acervos (como por exemplo: noções de clima e poluentes, iluminação, pragas urbanas, entre outros); noções de segurança em laboratório; princípios e ética da conservação-restauração; métodos e técnicas de documentação e de intervenção em acervos; entre outras.

O conhecimento de línguas estrangeiras pode abrir oportunidades para o crescimento na profissão?

Sim, pois no Brasil os cursos são poucos e a produção acadêmica nesta área ainda é restrita. Contudo é possível encontrar literatura especializada em inglês, francês, espanhol, italiano e, até em alemão e línguas do leste europeu. Especialmente no que se refere à conservação-restauração de papel são oferecidos cursos em países como Espanha, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos, Canadá e França. Além destes, é possível ainda realizar capacitação em centros de pesquisa na Inglaterra, Holanda, Áustria, Bulgária, Itália e Eslováquia.

Quais são as características necessárias para um bom profissional na área?

Para ser um bom restaurador é necessário uma formação científica adequada, o desenvolvimento das habilidades técnicas (visuais e manuais) e estar sensibilizado para questões sociais, políticas, culturais e éticas (formação humanística), pois estamos tratando de um patrimônio que funciona como representação de um indivíduo, de um lugar, de um povo, de uma nação ou um patrimônio da humanidade. Uma boa dose de dedicação e paciência também é necessária, pois os resultados dos tratamentos efetuados possuem tempos de resposta diferentes. O candidato deve gostar de estudar, pois a atualização é uma premissa desta profissão, em que se destina boa parte de sua formação em temas de ciências correlatas, como a química ou a biologia. É uma área que liga a ciência e a arte.

Como é um dia de trabalho de um restaurador de papel? 

Os profissionais desta área se envolvem em rotinas de diagnóstico e identificação do estado de conservação e dos danos do acervo, a busca de resposta aos problemas apresentados pelos materiais, o registro das etapas antes, durante e após a intervenção, a aplicação de técnicas interventivas que restabeleçam a condição de uso e acesso aos documentos. Também podem atuar no preparo de documentos para exposições, elaborando embalagens de proteção e transporte seguro. Muitas vezes, são responsáveis pelo acompanhamento em longo prazo das áreas de guarda dos acervos. Também participam de equipes que envolvam ações à salvaguarda e à proteção do patrimônio documental histórico cultural 

Como estão as perspectivas de trabalho para um jovem que escolhe a profissão?

O campo de atuação está aberto aos profissionais. Nos três últimos anos foram feitos concursos públicos em diferentes instituições, tanto para a carreira acadêmica de professor, quanto para centros de memória e laboratórios de conservação em museus. Como a formação no Brasil é recente, ainda há poucos profissionais formados, embora haja muitos profissionais capacitados e em atuação. A demanda de serviço para esta área está em crescimento, pelo reconhecimento da sua necessidade e devido à valorização da necessidade de instituições de memória e de acervos históricos, mesmo de caráter particular



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