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Saúde

Mãe aos 40

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20 de setembro de 2005

Engravidar depois dos 40 anos é sempre um risco para a futura mamãe e seu bebê, mas não significa que não possa acontecer. Pelo contrário. Nos dias de hoje, em que muitas mulheres priorizam a carreira e o bem estar financeiro, a maternidade acontece tarde e conta com o apoio da medicina. O ginecologista Salvador Vieira de Souza afirma que para garantir uma gravidez segura, a mulher deve fazer um pré-natal específico para a sua idade. “Exames como o de sangue, a ultra-sonografia e amniocentese (exame de células de amostra do líquido amniótico, retiradas do abdome materno) conseguem detectar algum problema. Em alguns casos, são defeitos genéticos no feto e não existem tratamentos”, explica o médico.

A partir dos 40 anos, os óvulos envelhecem e não têm mais a qualidade dos de uma mulher de 20. Aí surge a dificuldade para engravidar. Algumas mulheres recorrem à fertilização ou a medicamentos que induzam à ovulação. Há casos em que a gravidez se torna difícil porque o parceiro não consegue formar espermatozóides. Para este problema, também há tratamento.

O ginecologista alerta que uma gravidez a partir dos 50 anos é mais difícil ainda, não impossível. “A mulher não consegue mais produzir óvulos, além dos riscos serem maiores ainda. Geralmente os exames do pré-natal, assim como na idade dos 40, são feitos para detectar síndromes como a de Down”.


Quando a maternidade tardia é uma opção


A doutora em enfermagem Cecília Maria Isidoro, de 40 anos, está no oitavo mês de gravidez e se prepara para receber a pequena Heloísa no dia 23 de maio. A gestação da menina foi planejada, e como muitas outras mulheres, Cecília buscou estabilidade emocional e financeira antes de ter um filho.

“Quis fazer minhas especializações e tenho dois empregos, mas o que pesou na minha decisão foi a minha vontade de querer ser mãe. Sei que tem gente que concilia maternidade com trabalho, só que eu não queria ter um filho por uma obrigação social, mas por um desejo natural. Temia ter um bebê e depois me frustrar”, conta.

A cesariana, a contragosto, foi sugerida pelo obstetra para evitar complicações no parto. “Eu não queria, mas prefiro não arriscar, apesar de tudo estar correndo tão bem”, diz. Mesmo com 40 anos, Cecília acredita que terá disposição física para acompanhar o crescimento da filha. Mas vai dar uma mãozinha à natureza fazendo exercícios para aumentar sua resistência.

Surpresas podem acontecer

Mesmo seguindo as orientações de seu ginecologista e fazendo todos os exames necessários, a jornalista Maria Rita Fernandes, 41 anos, teve uma surpresa com o nascimento de seu bebê, João Pedro. A criança nasceu com Síndrome de Down, contrariando o diagnóstico revelado pela Translucência Nucal, exame que mede uma pequena membrana na nuca do feto entre o fim do terceiro e o início do quarto mês de gestação e pode detectar o problema.

“Tive a surpresa de um bebê com Down no seu nascimento. Tinha 40 anos quando ele nasceu e havia feito quase todos os exames – exceto a aminicentese, por indicação do meu obstetra. Pelas ultra-sonografias e outros exames, parecia que tudo ia bem. Fiz a Translucência Nucal e o exame deu que o bebê estava dentro da normalidade. Baseado principalmente nesse exame, meu médico descartou a necessidade da aminiocentese”, explica.

Mas ela diz que mesmo que o exame indicasse que seu bebê tinha Down, não interromperia a gestação. “De qualquer maneira, mesmo que eu soubesse do problema antes, não teria interrompido a gravidez. As crianças com Down, como bem sei hoje, podem levar uma vida praticamente normal e ser muito felizes”, diz. A ginecologista Sônia Valentim diz que no caso de dúvida, amniocentese deve ser feita sim. Mas que muitos ginecologistas cautelosos pela chance de aborto ou apoiados na Translucência Nucal descartam o exame. “Em caso de dúvida, ele é o único que pode informar a morfologia fetal. Se ele for feito não há erro. O que acontece é que muitas mulheres temem fazer o exame por medo de descobrir alguma Síndrome e não conseguirem lidar com isso depois”.

Exames necessários


Sônia Valentim informa o passo a passo de um pré-natal bem feito incluindo os exames básicos necessários. A partir de alguma anomalia descoberta em alguma deles, cabe ao ginecologista direcionar novos exames específicos para o caso em particular de cada paciente.

- Na primeira consulta do pré-natal o médico costuma pedir exames que enfocam o estado de saúde da mãe: hemograma completo (para saber tipo sangüíneo, ver taxa de glicose e viroses), exame de urina, exame de fezes e a primeira ultra-sonografia para saber a idade do feto.

- Entre a 11ª e 13ª semanas é feita a Translucência Nucal – ultra-sonografia transvaginal que mede a membrana da nuca do feto e que avalia se existem alterações genéticas na criança. Com esse exame é possível detectar a Síndrome de Down.

- A partir da 22ª semana, o médico costuma pedir um estudo morfológico do feto. Esse exame é feito através de uma ultra-sonografia que é capaz de investigar os órgãos (coração, rim, etc), cabeça e membros do bebê e informar se há alguma má formação genética.

- A partir da 26ª semana é indicada a Dopplerfluxometria Obstétrica. Também é uma ultra-sonografia que faz a avaliação do fluxo sanguíneo do bebê, da placenta, do útero e do cordão umbilical. Neste período é comum a gestante fazer um segundo exame de sangue e de urina. Para quem gosta de seguir a moda, também é possível fazer a ultra-sonografia tridimensional para saber o sexo do bebê.

- Da 36ª semana em diante os médicos fazem o perfil biofísico fetal para saber o volume de líquido amniótico na placenta, os movimentos respiratórios e os movimentos corporais do bebê. Isso é possível através de uma ultra-sonografia somada a uma cardiotocografia (estudo, mediante o uso de monitor, da freqüência cardíaca do feto e das contrações uterinas durante o parto).

- A amniocentese não deve ser feita antes da 38ª semana. Alguns médicos ou até mesmo as pacientes descartam o exame quando a Translucência Nucal não acusa nenhuma má formação. O exame é dolorido e pode induzir ao aborto, mas em certos casos, só ele pode informar a morfologia do feto.

Dicas para uma gestação saudável
 

A gestante deve ter cuidado com o peso e não deve engordar mais do que um quilo a um quilo e meio por mês.

- Evitar álcool e tabaco.

- Não beber água tônica porque contém quinino e essa substância pode induzir o aborto.

- Fazer alguma atividade física, sob a orientação do médico, a partir do terceiro mês de gravidez. De preferência, coisas como hidroginástica, caminhadas e ioga.

- Usar roupas leves, frescas e principalmente confortáveis.

- Evitar comer muito açúcar, beber refrigerantes e consumir produtos dietéticos.

- Fazer uma alimentação equilibrada e todos os exames necessários. Mulheres acima dos 40 anos estão propensas a ter hipertensão, diabete e alterações vasculares.

- Tomar, sob a orientação e consentimento do médico, cápsulas de ácido fólico, que ajudam a converter ferro para o sangue. Geralmente é tomado até a 20ª semana de gravidez.

- Evitar situações de estresse e quando enfrentá-las, buscar apoio e algum tipo de relaxamento rapidamente.



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