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No jogo há alguma coisa em jogo que transcende as necessidades imediatas da vida e confere sentido à ação” – em Homo Ludens - ensaio sobre jogo

Mas, o que está em “jogo” que possa justificar tanta necessidade de apostar, apesar das repetidas perdas e ocasionais ganhos?

Sempre que os neurônios dos centros encarregados de reconhecer recompensas são estimulados repetidamente por substâncias químicas (drogas, álcool), ou vivências que confiram sensação de prazer (jogo, sexo), existe risco de um cérebro vulnerável ficar dependente delas e desenvolver uma compulsão. Trata-se de um mecanismo de neuroadaptação, conforme explica um grupo de neurocientistas em artigo à revista Science. Por isso, tanta gente bebe, fuma, usa cocaína, joga descontroladamente, come demais, faz sexo sem parar, gasta além do que pode e malha compulsivamente.

Hermano Tavares, doutor em psiquiatria pela USP e coordenador do AMJO (Ambulatório de Jogo Patológico e Outros Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria da USP) revela em entrevista ao site “Álcool e Drogas sem Distorção” do Hospital Albert Einstein que “áreas cerebrais envolvidas na atividade de jogar têm uma impressionante superposição com as estruturas ativadas pela administração da cocaína”, mostrando o mecanismo de dependência comportamental comum entre os dois vícios.

Muitos estudos revelam também a influência de fatores genéticos nas compulsões. Pessoas que têm parentes, em primeiro grau, dependentes de jogo, drogas ou álcool têm predisposição à dependência e a transtornos do impulso. Portanto, a tendência ao jogo patológico não representa falta de caráter ou fraqueza moral – é, sim, uma doença comportamental semelhante à dependência química dos usuários de álcool e de outras drogas, e, como elas, tem tratamento.

Diferente do jogador eventual que aposta quando a loteria acumula ou do jogador social que joga por lazer com os amigos, o compulsivo rapidamente avança para os jogos de azar. A necessidade em apostar se torna tão grande que a tensão só se alivia com mais jogo. Ele está sempre envolvido com apostas em dinheiro, e não em simples divertimentos, como videogame, xadrez ou damas. O viciado joga de tudo: loterias, vídeo-pôquer, bingo, raspadinha, corrida de cavalos, 21, pôquer, etc

O problema pode começar na adolescência ou mesmo na velhice. Grande parte das pessoas que iniciam a compulsão estão entre 38 e 46 anos. Pesquisas dão conta de que a maioria é de homens, mas que as mulheres se viciam mais rapidamente e que preferem o bingo, enquanto os homens, as corridas de cavalo e os jogos de baralho.

Hermano Tavares atribui “à crescente oferta de jogos de azar em nossa sociedade” a principal causa para o aumento de casos. Segundo ele “a expansão do jogo se dá principalmente através dos jogos eletrônicos, o vídeo-poker, vídeo-bingo e caça-níqueis em geral”. Considera o fliperama a forma mais nociva de jogo de azar, porque tem maior potencial para causar dependência, conforme dados que “mostram que jogadores de video-jogo evoluem até quatro vezes mais rápido para compulsão do que jogadores de outros jogos”.

Sinais que evidenciam a patologia

Como o paciente pode ocultar por muito tempo suas atividades, muitas vezes só se percebe o problema quando o patrimônio familiar já está comprometido. Deve-se desconfiar de que algo não vai bem quando:

- a aposta ocasional se converte em habitual
- importância excessiva dada à atividade (escolher o local de férias pelo acesso ao jogo, por exemplo)
- ausências inexplicadas por longos períodos
- flutuações de humor associadas a resultados de jogo
- perda no rendimento do trabalho ou no estudo
- dívidas e dificuldade financeira sem justificativa aparente

Tratamento

A maioria procura tratamento pressionada pelos familiares, entretanto a adesão do paciente é fundamental e representa um grande desafio.

Conforme orientação do Dr. Hermano Tavares “o tratamento requer suporte psicoterápico específico para os problemas de jogo e tratamento concomitante das comorbidades (outros distúrbios de comportamento que se associam ao principal) que ocorrem em cerca de 70% dos pacientes. As comorbidades mais comuns são os transtornos de humor e transtornos ansiosos. O suporte e orientação aos familiares são fundamentais e pode ser o diferencial que assegura a adesão do jogador ao tratamento”.

Grupos de apoio para autoajuda, como Jogadores Anônimos (JA), são uma alternativa bem difundida e que, a exemplo dos AAs, apresentam muito bons resultados. Não existe tratamento medicamentoso específico para resolver a compulsão.

Endereços que ajudam

O site dos Jogadores Anônimos(JA), além dos endereços dos locais de reunião em todo o país, disponibiliza serviço de reunião virtual. A sala virtual permite que moradores de outros estados também possam participar usando senha para conversar, formular perguntas ou tirar dúvidas.

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Jogadores Anônimos

 



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faz 10 anos que jogo já perdi até minha casa
goreth

jogo todo dia me ajudem.....
clécio

Sou um jogador compulsivo desde 1998 ,já fiquei periodos sem jogar ,o ultimo durou quase 4 anos e voltei ,já frequentei de tudo ,hc , J.A . ,nada resolveu , voltei em outubro de 2010 no jogo clandestino e já perdi mais de 40 mil , é preciso substtituir o vicio por vida ,quem é viciado nisso não vive ,remedios e terapias são paliativos , como com os drogados ,sempre voltam mais cedo ou mais tarde ,trace metas e lute em cumpri-las ,só assim se livrará disso.
sérgio

meu neto joga o dia inteiro desde pequeno. Está com 19a. e continua. Não estuda, para volta à escola e está atrasado nos estudos. Está sendo acompanhado por medico psiquiatra do HC SP, além de ter uma terapeuta há dois anos. Quais seriam as orientações? Desde já agradeço pela ajuda que vier. Carlos.
Sergio

   
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