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Alimentos com gorduras, açúcar e muito sal terão taxa extra

“Quem leva uma vida menos saudável vai contribuir mais". A declaração de Viktor Orbán, premiê húngaro, resume bem o objetivo da nova lei criada no país.

Desde 1º de setembro, os húngaros têm que pagam uma taxa por produtos ricos em gorduras, sal e açúcar, assim como tarifas extras para refrigerantes e bebidas alcoólicas. A arrecadação projetada de 70 milhões de Euros apenas com estas mudanças será utilizada no serviço público de saúde e nos esforços de combate à obesidade, um problema que atinge 18,8% da população. Apenas como comparação: a média europeia é de 15,5% de obesos por país.

O governo local sustenta que alimentos deste tipo estão intimamente relacionados ao aumento da obesidade, e quem decide comer doces ou produtos processados e pouco saudáveis deve pagar mais por isso.

A culinária húngara em geral abusa de ingredientes como gordura de porco e de ganso. Além disso, há o tradicional gosto nacional pela sobremesas. A "dobostorta", uma criação com camadas intercaladas de baunilha, chocolate e cobertura de caramelo, já mostra o tamanho desta paixão.

A Dinamarca é um dos poucos países europeus a taxar refrigerantes, e foi a pioneira mundial a banir a gordura trans na fabricação de qualquer tipo de alimento, sendo acompanhada por Áustria e Suíça na sequência. A Romênia, por sua vez, optou por vetar o “imposto da gordura”, alegando que os mais pobres já têm problemas de saúde decorrentes de má alimentação, e a medida os levaria a consumir produtos ainda mais baratos e menos saudáveis. O consumo de produtos ricos em sal, açúcar e gorduras é proporcionalmente muito elevado nas classes menos favorecidas.
 

As maiores dúvidas, entretanto, residem no fato da tributação, isoladamente, não ser um fator de sucesso. Estudos científicos divulgados por médicos contrários aos impostos mostram que o preço extra não muda o comportamento do consumidor e não terão efeito na briga contra a obesidade. Em longo prazo, a informação e a educação dos consumidores ainda são defendidas como as armas mais eficazes para todos os tipos de problemas relacionados à saúde.

E nos Estados Unidos?

Nos últimos 15 anos, debates sobre a criação de impostos para junk food têm crescido nos Estados Unidos, berço mundial da "junk food", e a linha geral das sugestões aponta para que o montante arrecadado com os novos impostos tenha a mesma destinação do húngaro: o sistema público de saúde.

Outro tópico bastante debatido no cenário americano: o Governo oferece subsídios às matérias-primas como milho e soja, e alguns defendem que os orgânicos deveriam receber este benefício e as junks foods serem taxadas mais pesadamente. No último ano, Nova Iorque e a Pensilvânia já avançaram em estudo sobre a legislação que pretende taxar este tipo de produto.



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