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AGROTÓXICOS, UM PERIGO PARA A SAÚDE
Quais os principais problemas à saúde causados por eles?

Nada mais saudável do que um belo prato de salada no almoço, certo? Melhor, ainda, se ele vier acompanhado por uma bela porção de frutas na sobremesa. Pois, é. Depende. O uso indiscriminado de agrotóxicos para evitar e/ou combater pragas tem feito de uma simples salada um prato perigoso de se comer! E, pior. O excesso de fertilizantes tem contaminado não apenas os alimentos, mas também a água e o ar. Como em Mato Grosso, onde um estudo encontrou resíduos de agrotóxicos na água da chuva que caía em uma escola pública.

Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola, o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, com mais de um bilhão de litros de produtos químicos jogados nas plantações em 2010. São mais de 5 kg de agrotóxicos por habitante, o que gerou um faturamento de US$7,2 bilhões para as empresas produtoras!

Apesar da condenação de boa parte da sociedade, os defensores do uso de fertilizantes nas lavouras argumentam que esses produtos são necessários para o combate da fome no mundo. Para eles, o controle das pragas com os defensivos agrícolas permite a expansão da produção de alimentos no planeta o que, em teoria, poderia realmente trazer benefícios.

O que os defensores dos agrotóxicos não contam é que esses produtos químicos pouco contribuem para a ampliação da oferta de alimentos. Primeiro, porque mais da metade dessas substâncias é utilizada na cultura da soja, que depois servirá como ração animal. Segundo, porque as pragas agrícolas acabam criando resistência aos venenos aplicados. Ou seja, com o tempo, os agrotóxicos perdem o efeito e os agricultores passam a aumentar as doses ou a recorrer a novos produtos.

Agrotóxicos estão entre os principais causadores de intoxicações

Os problemas que podem ser causados pelos defensivos agrícolas à saúde da população faz com que estes produtos sejam controlados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualmente, a Anvisa tem registrados 366 ingredientes ativos para uso agrícola, que dão origem a 1.458 produtos à venda no mercado. Entre esses produtos, estão fungicidas, inseticidas, formicidas, herbicidas, dentre outros, que visam a eliminar qualquer ser vivo que ouse atacar as lavouras.

Apesar do controle, os agrotóxicos estão entre os principais causadores de intoxicações, ficando atrás apenas dos medicamentos, acidentes com animais peçonhentos e produtos de limpeza.

De acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico Farmacológicas (Sinitox), em 2008, foram registrados mais de 4 mil casos de intoxicações por agrotóxicos no Brasil. Acredita-se que esse número seja ainda maior, já que, em muitos casos, as pessoas procuram postos públicos, cujos profissionais não têm a experiência necessária para diagnosticarem corretamente a intoxicação por esse tipo de substância.

As consequências dos agrotóxicos na saúde humana são devastadoras. Dentre os sintomas estão distúrbios cardíacos, neurológicos, respiratórios, pulmonares e na produção de hormônios, o que pode causar a má formação do feto. As pessoas contaminadas também podem apresentar irritações nas peles, nos olhos e nos pulmões, além do risco de contrair câncer.

Diante de tantos problemas, é cada vez mais importante a busca por novas soluções para o controle de pragas nas colheitas e a popularização de campanhas contra o uso indiscriminado dos agrotóxicos. Outra alternativa é o investimento na agricultura orgânica. Ela já rende quase R$100 bilhões no mundo e é uma excelente alternativa para o consumo de alimentos saudáveis. Já a sociedade deve continuar cumprindo o papel dela, cobrando ações das autoridades e adquirindo produtos agrícolas orgânicos ou provenientes de fontes confiáveis.


 



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