Papo Sério

A legalização da maconha nos Estados Unidos

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25 de março de 2014

Este é um assunto bastante polêmico porque sempre fica a dúvida se, ao tornar a maconha legal, as autoridades vão conseguir controlar o consumo e salvaguardar o usuário da exploração dos traficantes ou se simplesmente vão atrair mais usuários e possíveis dependentes de drogas mais pesadas. 
 
Os Estados Unidos, por exemplo, parecem estar mudando a tática, pelo menos em relação à maconha. Após passarem anos combatendo as drogas através do uso da força e da repressão, desde 1o de janeiro de 2014, os usuários da maconha podem consumir o produto legalmente com fins recreativos em dois estados do país, Colorado e Washington. Em ambos os estados, os usuários podem consumir até 28 gramas da erva, que poderá ser vendida em coffee-shops como já acontece em Amsterdã, na Holanda.
 
A atitude dos estados vem recebendo, de certa forma, apoio do governo norte-americano. O Departamento de Justiça (DOJ) vem recomendando aos procuradores federais não irem contra as leis dos estados. Além disso, o DOJ já estuda liberar os bancos para participarem da transação da droga nos Estados em que sua venda é permitida, evitando que as lojas, que vendem maconha, tenham que trabalhar apenas com dinheiro em espécie.
 
Entretanto, a maconha continua sendo uma droga proibida pela legislação federal nos Estados Unidos. Enquanto os democratas seguem defendendo a nova abordagem em relação à droga, senadores republicanos, como Chuck Grassley, criticam as iniciativas, alegando que o Colorado já se tornou um exportador da maconha no país. A agência de fiscalização de drogas das Nações Unidas também declarou que a legalização da maconha nos Estados Unidos é uma ameaça à luta internacional contra os abusos das drogas.
 
Empresários e estados lucram
 
O mercado da maconha nos Estados Unidos se mostra promissor. Segundo estudo da consultoria Arcview Group, o setor deve movimentar US$ 2,6 bilhões em 2014, 60% a mais do que em 2013. Para os próximos cinco anos, a expectativa é que os empresários que estão investindo no segmento arrecadem US$ 10,2 bilhões caso se confirme a expansão da descriminalização da maconha para outros estados dos Estados Unidos.
 
Mas os ganhos não serão gerados apenas pelo ato de fumar maconha. Nos Estados Unidos, cresce o número de fabricantes de medicamentos, alimentos, bebidas, óleos e cosméticos com a cannabis na composição. Além disso, já existe uma ferramenta que indica onde é possível comprar maconha de forma legal no país, o Weedmaps.
 
Até os estados começam a lucrar com o comércio legal da maconha. Estado onde a droga é liberada apenas para consumo medicinal, a Califórnia calcula que arrecada entre US$ 59 milhões e US$ 109 milhões ao ano com tributos sobre a venda da maconha. Caso a venda da droga na Califórnia fosse liberada também para recreação, a expectativa é que a maconha gerasse US$ 1,4 bilhão em impostos estaduais e federais, segundo estudo da ONG Drug Policy Alliance.

Para quem vende e para quem arrecada, pode-se notar, a maconha é um alto negócio... A proibição estimula o tráfego que fica com os lucros; a legalização favorece o governo e o comércio local, um porque arrecada, o outro porque vê seu negócio prosperar. O grande perigo é que o consumidor, em geral jovem e vulnerável, é atraído e comumente se torna refém de um jogo de interesses....



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