Nutrição

Falta de apetite nas crianças

A saída é insistir?

A  A  A     

20 de julho de 2011

Você tenta, insiste, faz brincadeiras, mas não adianta. Seu filho torce o nariz, balança a cabeça e recusa a comida que você oferece. Toda vez que crianças rejeitam o prato ou dizem que estão sem fome, as mães ficam loucas de preocupação achando que a criança vai ficar doente. Calma, isso não é motivo para desespero e sim de reavaliação. Se a criança não quer comer, algo pode estar acontecendo de errado.

O pediatra Naylor de Oliveira membro do Comitê de Nutrição da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro afirma que as mães não devem ficar desesperadas e ainda diz: “a criança tem o direito de recusar comida”. O médico explica que a criança quando está se sentindo mal, com alguma gripe, sinusite ou uma virose ela não sente fome.

“Essa perda de apetite é normal nos adultos e as crianças se sentem da mesma forma. Essa recusa é uma defesa, é a maneira que o organismo tem de se preparar para uma infecção, por exemplo. Existem momentos fisiológicos que devem ser respeitados”.

O médico aponta um erro que os pais cometem muitas vezes cheios de boa vontade. Quando a criança não come direito, eles correm para uma farmácia e pagam caro por remédios para abrir o apetite. “Não existe remédio que estimule a criança a comer. O medicamento resolve por pouco tempo, isso porque ele causa hipoglicemia (taxa de glicose no sangue abaixo do normal) e vem daí a fome da criança. Quando a mãe pára de dar o remédio esse efeito acaba”, avisa o pediatra.

Apetite da criança é influenciado

Crianças também costumam recusar comida quando beliscam alimentos antes do almoço. “Não respeitar o horário das refeições das crianças é um erro. Para ter disciplina, elas devem comer em horários certos, à mesa, em companhia da família. Os pais devem criar esse hábito, fazer da refeição um momento prazeroso para a criança”, diz Naylor.

A ausência da mãe em casa e as brigas constantes entre os pais também são fatores que podem levar à perda de apetite. “Quando as crianças estão sob cuidados da empregada da casa e a mãe fica o dia inteiro fora, o apetite delas pode ser modificado. Elas sentem a falta do carinho da mãe e perdem a vontade de comer. Presenciar brigas também prejudica o apetite delas porque sofrem e rejeitam o alimento”, afirma o pediatra.

Crianças que sofrem desnutrição intra-uterina apresentam alterações no apetite. Doenças como otite, infecção urinária ou sinusite costumam influenciar na vontade de comer. No caso da sinusite, as crianças perdem o paladar e o olfato e não conseguem fazer as refeições. Em qualquer um dos casos, os pais devem procurar o pediatra e informá-lo. Assim, ele poderá apresentar uma solução para cada situação, que pode ter sido provocada por alguma doença ou problema orgânico. Nunca compre remédios por conta própria ou force a criança a comer.

Como estimular a criança

Naylor diz que entre os dois e seis anos de idade a criança come pouco mesmo. O que os pais devem fazer é provocar o interesse da criança pela comida e não obrigá-la a comer a todo custo. Para ser educada nutricionalmente, a criança precisa conhecer os alimentos, suas cores e seus sabores. Misturar toda a comida no prato antes de servir para o pequeno, vai fazer com que ele rejeite tudo.

O primeiro passo é valorizar a hora do almoço. Não é correto alimentar a criança assistindo tevê ou na janela, quando ela está se distraindo e come tudo sem perceber. Ela deve sempre saber o que está comendo. O melhor é mostrar para a criança que ela tem seu lugar na mesa e que esse é o único lugar onde as refeições serão feitas. Nada de comer em cima da cama ou na varanda.

Naylor explica que na hora da refeição, se a criança não quiser comer um legume, não force. Da próxima vez, prepare-o de um modo diferente para que ela possa experimentar de novo. Basicamente as crianças comem arroz, feijão, macarrão, legumes e carne. Se ela não quiser alguma coisa, pergunte o que ela gostaria de comer no lugar daquele alimento. Deixe que ela faça sugestões. Obviamente ninguém vai deixar que os pequenos se alimentem apenas de batata frita e bife.

Pedir a ajuda da criança para preparar a comida é um incentivo. O que ela ajudar a fazer vai comer. “Cortar os legumes, preparar a salada de frutas da sobremesa, pedir que ela prove o tempero da comida faz parte da educação. Assim, a criança se ambienta com a cozinha. É preciso também ensinar os perigos do fogo e de uma faca. Tudo isso provoca o interesse dela e desperta o apetite”, explica o pediatra.

Sugestões do pediatra

- Servir sempre a mesma comida não adianta. É preciso variar o cardápio e apresentar de tudo à criança. Se ela não quiser comer determinado legume não force. Refaça o prato em uma próxima vez e tente novamente.

- O alimento no prato da criança deve estar bem separado. Ela deve saber o que vai comer e conseguir distinguir um alimento do outro. Misturar a comida antes de servir não é atraente e certamente ela vai rejeitar.

- Sirva frutas de sobremesa. Encher a criança de balas e biscoitos faz com que ela perca a fome para a próxima refeição.

- Na hora do lanche varie sempre o leite que ela vai beber misturando com frutas. Oferecer iogurtes, mingau e vitaminas é uma boa solução. Ela vai estar alimentada e não vai enjoar do leite.

- Nunca esconda alimentos no prato. Colocar abóbora debaixo do feijão não fará a criança comê-la se ela não gosta. E pior, vai se sentir enganada. O risco de ela rejeitar o prato inteiro é grande.

- Não incentive a criança a “beliscar” entre as refeições. Ela vai perder a fome e vai recusar a comida depois.

- Se a criança não quiser comer tudo não force. Mas explique que depois do almoço ela só comerá novamente na hora do lanche, quatro horas depois. Assim, aprenderá a ter disciplina.



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