Menino não Entra

Odeio natação!

Quem “segura” quando se pensa em parar?

A  A  A     

22 de agosto de 2014

São muitos os motivos para um garoto ou garota dizer que “odeia natação”, mas quase sempre serve para impressionar e pressionar os pais, não é não? Dia frio, sonolência, preguiça, bronca do técnico muuuiiiiiito exigente, vontade de ficar mais tempo na cama, no computador ou na tevê... motivos não faltam!

Mas, depois de acordarem amuados e resmungando, mostram na aula que são verdadeiros peixes, tal a intimidade que têm com a água. Pena que não dá pra brincar mais tanto tempo na piscina como na época em que se era criancinha e as aulas tinham mais diversão.

Agora que são maiores, o treinador não dá folga. Não sei quantas idas e vindas de crawl, peito, golfinho, nado de costas, exigindo nado e ritmo apurados, postura e respiração corretas, batida de perna forte, braçadas mais que perfeitas.....ufa, haja fôlego e disposição pra tanta perfeição! Pouca brincadeira e muito trabalho solitário, como só os “Cielos” da natação conhecem bem.

Muitos desses nadadores começaram quando ainda eram bebês e nadam há anos. Passaram da fase da brincadeira na piscina para a da competição, que exige mais apuro e empenho nas aulas, e é aí que o bicho pega. Treinadores durões e exigentes cobram compromisso e dedicação, mas, nessa altura do campeonato a garotada já está seduzida por outros esportes de grupo, onde a atuação em equipe faz toda a diferença. Aí, então, começa o chororô: “odeio natação!”

Quem “segura” quando se pensa em parar?

Em geral são os pais que procuram convencer os filhos a não abandonar o esporte. Bia Sarquis, que tem 10 anos, começou a aprender a nadar aos 3. Em agosto, participou da sua primeira competição no Clube Botafogo, no RJ, e tirou um honroso 3º lugar. No final do ano terá outra competição em Niterói, mas já anda anunciando que não quer ir porque “é chato” ficar nadando e ainda por cima sua amiga, que é outra nadadora, não vai. “O vôlei é mais divertido do que a natação”, garante Bia que, apesar da preferência, ainda vai às aulas de natação duas vezes por semana.

O nome comprido de João Correa de Oliveira Braga Machado não pesa na hora de nadar, tanto que ele já conquistou, em três competições, medalhas de ouro no crawl e no revezamento e prata, no golfinho. Começou com nove meses e está agora com 8 anos. João deixou de gostar de nadar depois que a natação passou a ser “pesada”. “Gosto mais do nado de peito que é o mais fácil; menos do nado de costas; o golfinho exige muito esforço”, diz João. Ele conta que sai de casa com muita preguiça, principalmente quando está frio. Já pediu pra abandonar a natação mas a mãe diz que só aos 10 anos. Enquanto isso, ele vai continuando, e talvez continue por muito tempo, mesmo depois dos 10 anos. Dos esportes que João pratica o que mais gosta é do futebol e depois do vôlei. Diz que não chega a odiar a natação, mas com certeza é o que gosta menos.

É claro que também tem uma turma que não gosta mesmo de nadar e não se sai tão bem quanto Bia e João.  Mas por que, então, os pais insistem tanto nesse esporte?

Em alguns casos é porque sabem que a natação é o esporte mais completo, em outros, porque os filhos têm problemas alérgicos e respiratórios, e a natação faz parte do tratamento. E, por fim, saber nadar é um importante instrumento de sobrevivência que nunca se sabe quando se vai precisar.

Afinal, quanto tempo é preciso ficar nadando?

Thereza Christina Bouças Ferreira, professora de natação infanto-juvenil explica: “se a natação não é por recomendação médica e a pessoa nunca gostou, é importante que aprenda o básico para saber se safar na água. Dominar um dos nados é o bastante. Mas, se tem problemas respiratórios e alérgicos vai ter que nadar a vida inteira se quiser evitar os remédios. A natação melhora muito nesses casos”.

Mas, se você leva jeito e já gostou, deixe pra decidir se quer abandonar mais tarde. Espere mais um ou dois anos e depois, então, resolva, de cabeça fria, com seus pais...
 



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