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O poder da voz

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24 de maio de 2007

Como anda sua comunicação?

Por Fabíola Lima

Não há dúvida que a voz enriquece a transmissão da mensagem, acrescentando conteúdo emocional, colorido e expressividade à palavra. Devemos entender “voz” não apenas como o som produzido pela nossa laringe, mas a representação do que somos, sentimos e acreditamos. 

Ao falarmos, oferecemos pistas valiosas ao ouvinte. Estas pistas representam a nossa identidade sonora que é absolutamente individual. A identificação vocal assume a mesma função da impressão digital. Essa identidade é formada ao longo da vida, através da construção da própria história e dos relacionamentos interpessoais.

Muitas pessoas têm uma boa consciência sobre sua imagem vocal e o impacto que ela exerce sobre os outros. Mas, a maioria nunca parou para pensar no assunto, utilizando o seu poder vocal de forma inconsciente e, muitas vezes, ineficiente. Vale ressaltar que, conscientes ou não, influenciamos as pessoas com as nossas vozes e também somos influenciados por outras vozes.

No entanto, é muito comum focarmos toda a nossa atenção no conteúdo que queremos passar, acreditando que ele é o único responsável pela impressão que  causamos. Assim, achamos que as palavras são soberanas na comunicação da mensagem e passamos a nos dedicar unicamente a elas, sem nos darmos conta de que o que fica na cabeça das pessoas é a sensação que experimentaram ao nos ouvir e ver.

Segundo Prof. Dr. Albert Mehrabian, da Universidade da Califórnia, três elementos interferem na recepção da mensagem durante a comunicação: a linguagem corporal, o tom de voz e as palavras usadas. O impacto que cada um deles causa é diferente. A linguagem corporal é responsável por 55% da eficácia da comunicação, acompanhada de 38% do tom de voz e 7% das palavras usadas.

Portanto, o que fica registrado em nossa memória, posteriormente, é o que sentimos quando ouvimos alguém falar, e não, exatamente, o que a pessoa disse. Esse também é o motivo porque muitas vezes falamos e o outro entende exatamente o oposto da mensagem que queríamos transmitir, já que as primeiras impressões em um diálogo são estabelecidas pela nossa voz e pela nossa linguagem corporal.

Essa é a maneira como nos relacionamos. Comunicar-se bem e eficientemente é algo imprescindível para o próprio marketing pessoal.

O que é marketing vocal?

É compatibilizar a voz, a emoção e o conteúdo da mensagem falada.

A nossa voz carrega características biológicas, psicológicas e socioeducacionais. Na dimensão biológica estão as informações sobre idade, sexo, estatura física e condições de saúde. Os aspectos psicológicos se referem à personalidade e ao estado emocional e a dimensão socioeducacional oferece dados sobre os grupos sociais onde estamos inseridos.

Portanto, a voz é uma importante ferramenta de apresentação, que pode evidenciar o melhor da pessoa, seus pontos fortes e virtudes ou deixar transparecer exatamente suas dificuldades, como ansiedade, nervosismo, insegurança, raiva, enfim, os pontos que ela gostaria de esconder.

Quando usamos esta poderosa ferramenta de forma consciente e eficaz, permitindo que a nossa voz cause impressões positivas, ganhamos tanto profissionalmente quanto nas relações interpessoais. Foi o que aconteceu, por exemplo, com uma colaboradora que tinha todas as condições técnicas para assumir um cargo de liderança e gestão na empresa, mas seu gerente temia promovê-la devido à sua timidez: quase não se ouvia o que ela falava e, em momentos de pressão, ela sempre chorava.

Após dois meses de acompanhamentos individuais semanais, com um trabalho de coaching em marketing vocal, voltado para atitudes de liderança comunicativa, ela foi promovida. As questões relacionadas à insegurança que transmitia foram modificadas para a imagem de uma profissional segura e ao mesmo tempo acessível e humana, tornando-a uma das melhores gestoras da empresa. Há dois anos ela foi uma das escolhidas pelos colegas, e por isso premiada pela sede mundial da empresa, como referência profissional.

Tenho percebido que cada vez menos as pessoas prestam atenção nelas mesmas. Existe hoje uma preocupação e uma ansiedade muito grande de todos exporem as suas ideias, mas precisa haver cuidado na forma como essas ideias são colocadas.

Às vezes, pela poluição sonora as pessoas se acostumam a falar mais alto desenvolvendo a sensação de que assim serão ouvidas. Essa é mais uma ideia distorcida, pois chamamos a atenção de alguém não pelo volume da nossa voz, mas pela segurança e pela expectativa que a nossa fala gera.



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