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Alunos coçando as cabeças em parar!
Por Marcela Sanches

Em geral, durante as férias, aumenta o número de contatos das crianças, porque é época mesmo da meninada se esbaldar, acampar, visitar parentes, rolar no chão com cachorro, dormir na casa de coleguinhas....

Quando termina o período, é “aquele” rebuliço: uniformes para arrumar, organização do material escolar, retomada dos horários e ritmo de trabalho. A atenção dos pais fica dividida e a criança também mais irritada e ansiosa ante a expectativa de retornar à  rotina e às obrigações.

Só, então, no primeiro dia de aula, se percebe (normalmente a professora) que o aluno coça a cabeça sem parar. Após uma discreta e detalhada pesquisa nos cabelos, constata-se a presença de “pequenos seres caminhantes” no seu couro cabeludo.

A crise

A professora precisa proteger o restante da classe para não virar epidemia. É preciso afastar a criança, falar com os pais (dela e das outras) e, se possível,  evitar que os colegas percebam de onde vem o foco, para que o aluno não se torne alvo de chacota. E, é preciso ainda evitar que a criança se sinta diferente, excluída.

Infelizmente a pediculose (doença causada por infestação de piolhos) é tratada com muitos tabus porque, geralmente, é associada à falta de higiene. Mas, esta não é a única  realidade. A pediculose é uma doença que não distingue classe social, estado de higiene, raça ou idade.

O piolho infecta de forma muito rápida e, como, muitas vezes, pode se propagar com poucos parasitas, fica mais complicado encontrá-los e tratar do problema. Enquanto isso, eles “migram” de uns para os outros. Além disso, a transmissão também pode se dar através de objetos infectados.

O tratamento deve utilizar várias frentes: retirada das lêndeas, emprego  de medicamentos e combate à reinfestação.

O uso do pente fino ajuda a retirada das lêndeas. Para o combate, existem ainda medicamentos de uso local (shampoos, loções) e de via oral (comprimidos). A consulta ao médico é necessária para prescrever a melhor medicação e adequar a dose e tempo de tratamento à criança ou jovem.

Combatendo a reinfestação

Todas as pessoas que têm ou tiveram contato com o paciente infestado devem fazer tratamento simultaneamente, o que inclui colegas de classe, familiares, professores, etc.
Esta é a parte crítica do tratamento, pois nem todos seguem à risca a recomendação e há uma reinfestação constante.

Todas as roupas de cama e vestuário do infectado devem ser lavadas com água quente (de preferência fervidas). Existem tipos de piolhos que vivem nas roupas, nas dobras dos tecidos e só saem para picar, sugar o sangue da vítima, e que depois voltam a se esconder. Utensílios pessoais como pentes, bonés, presilhas de cabelo, vestuário, toalhas, etc não devem ser compartilhados. 

Em casa, deve-se passar aspirador em todos os lugares, inclusive nos sofás e almofadas.

O ideal é cortar os cabelos mas, se isso significar muito para a criança, mantenha-os presos.

Enquanto a criança tiver pediculose não deve voltar à escola, pois, certamente, transmitirá para outros. Durante algumas semanas os pais devem continuar verificando os cabelos do filho. E, mais importante: todos os cuidados devem ser cercados de carinho para que a criança entenda que quem está sendo combatido é o piolho e não ela.

OBS: Marcela Sanches é farmacêutica.



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