Dia a Dia

A impaciência nossa de cada dia

A  A  A     

20 de agosto de 2014

Para o escritor austríaco Franz Kafka, a impaciência é o único pecado capital do homem. Dele decorrem todos os demais.

Segundo Kafka, o homem foi expulso do paraíso por causa da impaciência, e, ainda por causa dela, não retorna.

Com certeza, a impaciência (como tudo o mais!) a que se referia Kafka, há um século atrás, não é a mesma de hoje.

Agora, ela estende-se a situações de muito menos valor, transborda nas atividades cotidianas e faz parte do mundo hiperativo em que vivemos, onde reina o excesso de consumo, informação, estímulo, meios e ferramentas. Tudo ganhou velocidade e escala. O ritmo acelerado não está apenas na produção ou no serviço, mas tomou conta das pessoas e todos nós somos cobrados e cobramos desempenho, produtividade e agilidade o tempo todo, até em casa! Nem nos damos conta do quanto estamos envolvidos e fazemos parte desta frenética cadeia.

Exigência, pressa e, a consequente impaciência, prevalecem na relação do dia-a-dia. Interferem no tom da voz, nos gestos e no andar e influenciam na maneira de viver o cotidiano, e de se relacionar com os outros.

Manifesta-se de várias formas:

- o ritmo de resposta está em descompasso com o das demais pessoas (todo o mundo fica lento e imperfeito);
- o ritmo ou falhas das máquinas/equipamentos provocam excesso de irritação;
- as pequenas falhas dos outros se tornam intoleráveis;
- não se consegue ouvir as opiniões alheias;
- todas as tarefas precisam ser feitas num piscar de olhos;
- exige-se muito do outro, muitas vezes, além de sua capacidade (especialmente das crianças);
- deixa-se de avaliar os momentos oportunos, considerando que toda hora é hora e por isto toma-se decisões precipitadas com freqüência;
- não se encontra prazer em nada do que se faz, pois tudo tem que ser produtivo, eficiente ou competente;
- falta vontade de rir, principalmente das próprias falhas. É quando a hiperatividade coletiva começa a ser individualizada.

Para quebrar esta corrente é preciso a determinação de relaxar, desacelerar, pois além das conseqüências físicas, cria-se um mundo hostil e cheio de conflitos ao redor.

Como fazer isso?

Para a psicoterapeuta alternativa Marilu Miranda do Espaço Aprender a Conviver, “o único caminho para lidarmos com essa pressa, essa ansiedade, é mudar o nosso ritmo interno”. E continua: “sabemos hoje, que o ritmo do planeta já mudou e que vivemos uma aceleração de tempo decorrente desta situação. O eixo da Terra está se modificando e precisamos adequar o nosso corpo a este ritmo” .

Marilu se refere as constatações que o físico alemão W. O. Schumann fez em 1952. Segundo ele, a Terra é cercada por um campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera que fica cerca de 100 km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância (daí chamar-se ressonância de Schumann) da ordem de 7,83 pulsações por segundo. Por milhares de anos as batidas da Terra tinham essa freqüência de pulsações e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio. A partir dos anos 80 essa freqüência passou de 7,83 para 13 hertz por segundo. O coração da Terra disparou. Devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16horas!

Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória, mas teria base real neste transtorno da ressonância Schumann. Esta mudança de ritmo entrou em descompasso com o organismo do homem que precisa encontrar meios de harmonizá-la.

Para Marilu, a saída está na meditação. E cita o pensamento de Sandra Rosenfeld, autora do livro “O que é meditação”: “o estado de ansiedade é o estado de estar desconectado consigo mesmo, com a nossa essência, por isso precisamos meditar”. E, acrescenta, “a meditação, ao contrário do que muitos pensam ou até temem, nos mantém despertos, acordados, conscientes, sabendo o que estamos pensando, falando e fazendo. A meditação nos liberta na medida em que nos torna conscientes e responsáveis por nós mesmos”. Junia Maria Lopes Debevc , terapeuta alternativa, também enfatiza a eficácia da meditação. A concentração no mantra leva a pessoa a um nível de relaxamento comprovado cientificamente, assegura ela.

Júnia recomenda ainda a prática do Reiki, uma terapia que utiliza a imposição das mãos para transmitir energia. “Os benefícios se fazem sentir em doenças físicas e no equilíbrio geral”. A pessoa iniciada no Reiki pode até ser auto-aplicado por 20 minutos diários. Seja meditando ou na prática do Reiki, vale a pena tentar.

Todos agradecerão: a família, os amigos, os colegas de trabalho e seu corpo! E quem sabe Kafka estava enganado e o homem pode retornar ao paraíso? 



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