BRECHÓS, RESTAURAÇÕES & RELÍQUIAS
Com a vida agitada e a falta de tempo, cada vez mais procura-se o simples, o que dá menos trabalho para cuidar e que possa ser substituído com facilidade. Com os eletrodomésticos e eletrônicos, é assim. Vale a pena consertar ou a melhor solução é comprar um novo? Vivemos na era dos descartáveis, é fato. Mas, não é assim para tudo. Apesar do lado prático do dia-a-dia, aumenta o número dos apreciadores de arte. Exposições, galerias, museus e concertos têm freqüência crescente. E o que não dá para comprar, dá para apreciar! Para este público de olhar mais apurado e exigente, mas que não é endinheirado, a visita a brechós é um prazer e uma alternativa para “garimpar” móveis e peças interessantes por bom preço. Neles, se encontra de tudo: peças antigas e atuais. Mas o decorador Ayrton Rocha lembra que é preciso tomar cuidado para não comprar gato por lebre. Móveis que são vendidos como antigos podem ser apenas peças de imitação. Ayrton afirma ainda que “é um bom lugar para procurar coisas diferentes ou buscar peças de reposição, como por exemplo o pingente que falta num lustre antigo ou a peça quebrada de um aparelho de jantar herdado da avó”. Quem gosta de bijuterias bem transadas pode desmanchar velhas peças esquecidas nessas lojas, entre tantas, para aproveitar as contas com outro layout. O importante é não se impressionar com a poeira nem com a quantidade de coisas entulhadas. É preciso curtir o programa, sem pressa. Ayrton diz que também precisa saber negociar, “nunca mostrar interesse direto na peça que se quer; o jogo é perguntar o preço de várias e, no final, propor um preço único para duas peças”. Ele conta que se pode encontrar quadros a óleo de qualidade com molduras quebradas, esquecidos no meio do pó. E, se você está se perguntando o que fazer com aquele presente da tia-avó, meio danificado, que estava nos guardados da família e veio parar nas suas mãos, acredite, tem jeito! É só mandar restaurar e ele será preservado na família. Vale a pena mesmo que seja pelo valor estimativo e pela memória. Olha que charme, ter uma peça que já pertenceu a várias gerações da mesma família! Se tiver valor comercial, melhor ainda. Há restauração de tudo: papel (gravuras, livros, fotografias), porcelana, madeira, metal, etc. Ayrton explica que, na restauração de santos de madeira, há correntes de pensamento diferentes. Tem a que deixa a peça nova, completando o pedaço que falta e outra que retira as pinturas que foram acrescentadas, deixando o que restou da original, mesmo que seja pouca coisa. Vai depender do gosto e interesse da pessoa. Para o cristal praticamente não existe restauração. Quando lasca, dá-se polimento na peça para ser reutilizada ou, então, dá-se um novo aproveitamento a ela. Com criatividade, faz-se um acabamento em metal e ela vira outra! Já os melhores restauradores de metal estão em São Paulo, Ayrton orienta. São joalherias que se especializaram em peças e jóias. A prata de lei tem marquinhas contrastantes que identificam o país de origem, a data e o prateiro que as produziu. 925 teor de prata é o máximo que se encontra nelas pois os 75 restantes são complementados por outras substâncias que dão maleabilidade à criação da peça. Para limpar jóias de prata, basta ferver água com sal e colocá-las dentro, e para limpar o bronze, use um algodão com cinza de cigarro. Depois é só exibir as relíquias que estavam guardadas há tanto tempo na gaveta! Com tantos recursos, você pode ter peças únicas que valorizam sua decoração ou mesmo sua coleção de bijuterias e jóias e, o que é melhor, dentro de suas possibilidades!
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