Convivendo com a Diferença

Tartaruga sagrada: ícone cultural vietnamita

A importância dos símbolos para cada cultura

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04 de maio de 2011

A tentativa recente de salvar uma tartaruga mobilizou Hanói, a capital do Vietnã. O réptil era um dos quatro últimos de uma espécie que está ameaçada de extinção. Com mais de 200 quilos, um metro de comprimento e estimados 100 anos de idade, a tartaruga, apesar dos esforços, não sobreviveu.

A raridade do animal era, a princípio, a maior preocupação dos ambientalistas e veterinários , mas para muitos vietnamitas essa tartaruga é sagrada. Segundo a tradição local, ela é o réptil mitológico que simboliza a independência do país. Por isso, a grande movimentação popular, que exigiu um enorme esforço da polícia para controlar e manter o isolamento das margens do Lago Hoan Kiem, bem no centro da capital, onde o animal doente e ferido foi encontrado e onde os vietnamitas imaginam que ele habitasse.

A tartaruga de Hoan Kiem é a versão vietnamita da Dama do Lago das lendas do Rei Arthur. Ela é a guardiã de uma espada mágica que torna seu dono (no caso o país) invencível. Essa espada foi dada pelos deuses ao guerreiro Le Loi, no século XV, para expulsar os invasores chineses do Vietnã. Vitorioso e já como rei, Le Loi foi de barco ao lago (atualmente chamado de Hoan Kiem, que significa “espada que retorna”) onde uma tartaruga dourada surgiu e levou a espada para as profundezas. O imperador entendeu que a missão da espada estava cumprida, mas que ela emergiria sempre que a independência do Vietnã estivesse ameaçada.

No centro do lago foi construída uma torre para a tartaruga sagrada. Mesmo quem não acredita na lenda  vê o réptil como um símbolo nacional, por isso o empenho da população e do governo em salvar o animal. O governo montou uma operação que envolveu cerca de 50 pessoas, entre militares, veterinários e cientistas. Voluntários tentavam limpar o lago para melhorar as condições de vida da tartaruga, já que os níveis tóxicos causados pela imensa quantidade de lixo e esgoto foram a causa do seu envenenamento. 

Mas em pleno século XXI?

Histórias como essas podem parecer absurdas ou engraçadas na época em que vivemos, mas elas existem em todas as sociedades e guardam uma simbologia própria. A tartaruga idealizada da cultura vietnamita lembra às novas gerações a força e a coragem de seus ancestrais e a proteção de um ser divino que ajuda àqueles que lutam para preservar a independência do país.

Um ano depois do terremoto, milhares de haitianos ainda vivem sob tendas e quase tudo continua em ruínas, inclusive o palácio do presidente, mas um dos símbolos de prosperidade da cidade, o Mercado de Ferro (onde se negociava de tudo um pouco), acaba de ser reconstruído na sua forma original, com seus quatro minaretes e a torre de relógio. Refeito segundo regras internacionais de segurança e resistência a abalos da natureza, a reconstrução do Mercado de Ferro foi considerada prioritária pelo valor simbólico de sua função: o coração comercial da cidade, que representa a esperança de que tudo começa a voltar ao normal.

Os símbolos são importantes na vida e na cultura dos povos. De alguma forma eles são uma linguagem cifrada das aspirações e dos ideais humanos em cada sociedade, por isso existem desde sempre. Como estrangeiros, nem sempre, conseguimos “decifrar” o significado quando visitamos um novo lugar, mas aí o problema é nosso, ou seja, da nossa ignorância sobre as outras culturas. Mas, aviso, para entender é preciso querer ser mais do que um mero visitante, é preciso compreender a história do lugar e o coração de seu povo.



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