Convivendo com a Diferença

Felicidade leva iranianos para prisão

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09 de setembro de 2014

O excesso de radicalismo volta a criar uma situação inusitada, e lamentável, no Irã. Em abril, um grupo de seis jovens, três homens e três mulheres, foi preso em Teerã por ter participado de uma paródia do videoclipe da música Happiness (Felicidade, em inglês), do norte-americano Pharrell Williams, postada no You Tube. O argumento da polícia iraniana é de que o vídeo era obsceno e ofendia a moral iraniana. Antes de serem soltos, os jovens foram obrigados a confessar os atos na tv estatal, com alguns dizendo até que não sabiam que o vídeo seria divulgado na internet.
 
O "polêmico" vídeo iraniano traz os seis jovens dançando em diversos lugares de Teerã ao ritmo da música de Pharrell Williams, repetindo centenas de vídeos já publicados no You Tube. Logo após a prisão dos jovens, as redes sociais no mundo todo foram inundadas por protestos e reclamações, com uma indagação: seria um crime ser feliz no Irã? 
 
Enquanto os conservadores iranianos condenam os jovens, o presidente do país, Hassan Rohani, de linha mais moderada, deu sinais de não concordar com a prisão. Sem citar abertamente o vídeo publicado pelos jovens, Rohani, através da sua conta no Twitter, postou que a felicidade é um direito dos iranianos, complementando que não deveriam ser tão duros com os comportamentos resultantes da alegria.
 
Internet no centro da polêmica
 
Apesar de o presidente iraniano ser de uma linha mais moderada, o Irã é um país conservador, em que religião e política andam lado a lado. Acima de Hassan Rohani  está o Líder Supremo Ali Khamenei, líder religioso com algumas atribuições no Poder Executivo, relacionadas principalmente à religião e defesa nacional. Extremamente conservador, Khamenei tem suas restrições contra qualquer influência vinda do Ocidente, já tendo advertido o país contra uma possível invasão de valores culturais ocidentais.

A polêmica da liberdade pública tem sido alvo de debates no Irã desde a chegada de Hassan Rohani à presidência, em 2013. Atualmente, o país conta com mais de 30 milhões de pessoas acessando a internet, sendo a maior nação de internautas do Oriente Médio. Parte desse sucesso da internet do país se deve também ao fato de que mais da metade da população iraniana é formada por jovens de até 30 anos.


Vale lembrar, porém, que no Irã, assim como na China e em Cuba, é comum as autoridades vasculharem a internet à procura de pessoas que agem contra o regime. Além da perseguição, a polícia iraniana também bloqueia, com frequência, o acesso dessas pessoas às redes sociais. A preocupação iraniana ficou ainda maior após as ondas de manifestações que assolaram o Oriente Médio em 2010 e acabaram levando à queda de três governos (Egito, Líbia e Tunísia), além de ter balançado as estruturas em outros países da região. 

 
 



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