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Lobolo - o dote para casamento na África

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02 de abril de 2015

Por quase quatro séculos, o dote para o casamento foi uma realidade no Brasil. Seguindo a tradição vinda de Portugal, era um dever dos pais conceder um dote pomposo as suas filhas no momento do casamento. Com o passar dos anos, essa tradição foi perdendo força no Brasil e, no século XX, ela já estava praticamente extinta, ficando restrita a poucos casos, especialmente no interior do País.

Enquanto no Brasil, o dote faz parte apenas dos livros de História, na África e na Ásia, ainda é comum os pais entregarem boas somas de dinheiro para garantir o casamento de suas filhas. Essa tradição ainda é tão forte que, recentemente, um aplicativo para celular chamou a atenção do mundo todo por calcular, com parâmetros de idade, peso e altura da mulher, o número de vacas que deveriam ser entregues aos pais da noiva na época do casamento.

Chamado de “Máquina de calcular lobolo”, o aplicativo foi inventado pelo sul-africano Kopo Robert Matsaneng e já havia sido baixado por mais de 20 mil pessoas até fevereiro de 2015. Alinhado com a evolução da tradição africana, o aplicativo também calcula o dote em rands (moeda sul-africana) e em dólar.

Apesar da tradição local, o aplicativo vem gerando críticas de todos os lados. Os grupos contra o lobolo argumentam que o aplicativo promove um ataque à dignidade feminina, a transformando em um produto processado. Já os partidários do lobolo acreditam que o invento de Matsaneng acaba com a negociação do dote entre as famílias, prejudicando um dos principais propósitos do lobolo, que é de unir as famílias dos noivos, intento alcançado pelos vários encontros sociais que acompanhavam as negociações.

Lobolo é bastante tradicional no sul de Moçambique

Assim como o Brasil, Moçambique é uma ex-colônia portuguesa e, lá, o dote ainda é uma tradição nacional, principalmente no sul do país. Só que, na perspectiva dos moçambicanos, o lobolo é mais do que um dote, é uma forma secular de expressão cultural, com um sentido social que visa o reconhecimento do casamento, chegando a ponto de ter tanto valor quanto uma certidão matrimonial. Ele é, assim, uma forma de garantir os direitos e deveres do homem e da mulher perante as famílias e a comunidade, obedecendo uma série de pré-requisitos básicos que vêm sendo adaptados ao longo do tempo.

Essa evolução do lobolo pelos anos também tem sido alvo de críticas em Moçambique. Inicialmente, o lobolo representava a cerimônia de união do casal, com a família do noivo sendo obrigada a levar para a casa da noiva um certo dote, como forma de agradecimento por ela ter sido bem tratada e educada. Entretanto, com o passar do tempo, o sentido do lobolo passou a ser deturpado, e a gratidão foi deixada de lado, com o lobolo fazendo parte apenas de um jogo de interesse.


 



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