Convivendo com a Diferença

Imigrantes na berlinda, na Inglaterra

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07 de novembro de 2011

O primeiro-ministro inglês David Cameron está querendo promover uma verdadeira caça às bruxas no seu país. Explico: preocupado com os gastos públicos da saúde, Cameron pretende pedir à população que denuncie a presença de imigrantes ilegais na Inglaterra. Ou seja, Cameron quer montar um exército de delatores voluntários para resolver um problema de ordem governamental.

Tendências de xenofobismo sempre crescem em períodos de crise financeira. A falta de dinheiro e de postos de trabalho leva a população a se preocupar com a entrada de imigrantes no país que possam roubar as poucas oportunidades de emprego ainda disponíveis. Além disso, a necessidade de cortes de custos em áreas como educação e saúde faz os governos quererem evitar a entrada de novos usuários dos serviços públicos gratuitos.

Entretanto, em uma Europa cada vez mais integrada, é difícil que uma política de restrição a estrangeiros seja adotada com apoio total da sociedade. Um país multicultural como a Inglaterra é recheado de comunidades de imigrantes que já se mobilizam em atos contra as novas medidas e, com certeza, vão mostrar o seu descontentamento nas próximas eleições no país.

Apesar do risco nas urnas, políticas de restrição a imigrantes ilegais vem tomando diversos países na Europa. Na França, Nicolas Sarkozy já expulsou 30 mil imigrantes em 2011 e vem provocando a ira da comunidade cigana, a mais atingida pelos últimos atos. Na Dinamarca, o governo aumentou a fiscalização na fronteira para impedir a entrada de novos imigrantes, apesar de o país ter assinado o Tratado de Livre Circulação da União Europeia.

Cumprimento das leis, sim. Racismo, não

Que a invasão de imigrantes ilegais é um problema que deve ser encarado com preocupação pelos europeus, não há dúvida. A imigração ilegal quebra o equilíbrio social local e acaba por prejudicar todo um sistema. A proximidade da Europa com o norte da África tem feito com que o Velho Continente seja o alvo principal de milhares de pessoas que fogem todos os anos das guerras e da fome na região. Essa situação vem levando ao aumento de população de rua e de ambulantes nas principais cidades de países como Espanha, França e Itália, principais destinos desses refugiados.

O problema é a forma com que Cameron quer atacar a questão. Criar um exército de delatores entre a sociedade é perigoso e pode estimular a xenofobia na população, com consequências inimagináveis! O principal exemplo disso são os 8 milhões de judeus mortos devido às políticas nazistas e fascistas das décadas de 30 e 40 que levaram à Segunda Guerra Mundial.

Em vez de estimular a participação da população nessa cruzada anti-imigrantes ilegais, o governo inglês deveria procurar entender o porquê de pessoas largarem seus países e a sua história em busca de uma nova vida. Um rápido exercício de brainstorm mostra que dramas sociais como guerra, fome e perseguições políticas  são as principais causas de imigração, muitas vezes estimuladas pelas grandes disparidades que existem no mundo.

Portanto, David Cameron deveria pensar melhor na próxima vez que fosse convidado a entrar em uma guerra para derrubar algum ditador pelo mundo. De repente, o investimento em ações humanitárias em países miseráveis pode sair muito mais barato do que alguma incursão de guerra ou os milhares de libras gastos pelo governo para evitar as imigrações ilegais para o seu país. Além de ser muito mais eficiente.
 



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