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Convivendo com a Diferença

Imigrantes e refugiados na Noruega vão às urnas

O despertar dos imigrantes

A  A  A     

25 de setembro de 2011

Passada a fase mais trágica do choque que surpreendeu noruegueses, estrangeiros radicados na Noruega e o mundo todo, uma questão permanece incomodando: qual a responsabilidade dos partidos de extrema direita, que pregam a xenofobia e a islamofobia, nesse e em outros atentados da Europa? Muitos desses partidos já possuem representação parlamentar em alguns países europeus, inclusive na própria Noruega.

Esses partidos não puxam o gatilho da arma que mata, mas os inflamados discursos populistas de seus líderes ajudam em muito a esquentar o clima de revolta contra imigrantes em geral  e islâmicos em particular. A crise econômica europeia tem dado fôlego aos movimentos que combatem o acolhimento a refugiados de guerra ou a imigrantes que fogem da economia cambaleante de seus países. Enquanto a Europa foi próspera, eles eram bem tolerados, porque ajudavam com seu trabalho o crescimento da economia europeia, mas agora, não são mais.

O caso norueguês

Breivik, cidadão norueguês de 32 anos e autor confesso dos atentados que mataram em julho passado 76 conterrâneos, foi membro do Partido Progressista norueguês, que segue uma linha populista de direita, com a defesa de ideias xenófobas e nacionalistas.

Embora não tenha ligações com os neonazistas do país e nem participação no governo, o partido Progressista tornou-se a segunda maior bancada do Parlamento norueguês desde 2005, atraindo gente saudosa de uma Noruega sem tanta convivência com os estrangeiros imigrantes. Breivik chegou a ocupar posições de liderança na ala jovem do partido mas seu presidente tratou de se distanciar dele logo após os atentados.

Breivik demonstra conhecer bem os movimentos nacionalistas que brotam hoje pela Europa e crescem politicamente, embora não haja provas de sua militância em qualquer um deles. Mas ele se diz membro da milícia "Novos Pobres Cavaleiros de Cristo", uma facção racista criada em Londres, em que "templários modernos" declaram guerra ao islamismo. Mas o seu combate se estende à mistura de raças em geral, tanto que em um de suas citações aponta o Brasil como prova de que a miscigenação acaba com as qualidades de um povo.

O paraíso norueguês

A Noruega, reconhecida como um recanto de tolerância e liberdades, destaca-se pela justiça social que se reflete no seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - o 2º mais alto do mundo. Seu povo vive com segurança e tranquilidade; sua taxa de desemprego, em 2010, foi de 3.6%. A economia norueguesa já funcionava sem sobressaltos antes de 1971 mas, a partir daí, a exploração de petróleo fóssil do mar do Norte  permitiu à Noruega mais prosperidade e tranquilidade econômica.

Bom para seu povo e para os estrangeiros que ali se radicaram. Desde meados de 1990, o número de imigrantes dobrou no país, que passou a receber levas de trabalhadores da África, do Leste Europeu e da América Latina. A Somália está no topo do ranking de pedidos de asilo, seguido pelo Afeganistão, Eritréia, Irã e Iraque. Os refugiados recebem apoio financeiro, treinamento profissional, orientação cultural e aulas de norueguês para sua inserção no mercado de trabalho. O mesmo não acontece com os imigrantes, mas mesmo assim, parece que as condições de vida compensam diante do que seus países de origem oferecem.

Participação pode preservar a paz

Os noruegueses ainda estão se acostumando com tantas pessoas de diferentes cores e religiões participando do seu dia-a-dia. Tudo vem mudando depressa e o receio de que a “invasão” de novas culturas traga problemas à paz cotidiana está sendo usada politicamente, como acontece em outros lugares do planeta.

Pelas leis eleitorais da Noruega, somente cidadãos noruegueses podem votar para o Parlamento, mas em pleitos locais todos os residentes legais têm direito a participar. O episódio Breivik serviu para despertar nos imigrantes a consciência do valor de seu voto, que está sendo disputado pelos partidos. Com cerca de 10% da população apta a votar, os estrangeiros podem fazer a diferença, diminuindo o poder eleitoral de partidos xenófobos.
 

Afinal, a democracia tanto permite a existência de partidos que radicalizam suas propostas como permite, pelo voto, que eles sejam rechaçados.



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