Convivendo com a Diferença

Aprendendo a conviver com a liberdade

Uma Jamaica arrependida?

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30 de outubro de 2011

Uma pesquisa divulgada pelo jornal “Jamaica Gleaner” revelou que 60% dos jamaicanos acham que o país estaria melhor se ainda fosse  colônia britânica. Só 17% pensam ao contrário.

Essa diferença significativa de opinião nos faz imaginar que só pequena parte da população conseguiu conquistar autonomia financeira e maturidade política após a independência do país, enquanto a maioria se sente frustrada  com uma liberdade  que não realizou seus sonhos.

A liberdade por si só não leva a cabo projetos, apenas cria expectativas e até condições para que o indivíduo sonhe e busque a melhor forma de conquistar seus desejos. Mas, a obra tem que ser construída pelos próprios indivíduos... 

Uma longa história de dependência e obediência

Pode-se dizer que a Jamaica vive, no momento, sua fase adolescente, pela sua relação e vivência com a liberdade.

Como país, a Jamaica é jovem, pois só conquistou sua independência, recentemente, em 1962, embora tenha sido descoberta em 1494, pelos espanhóis. No processo de conquista, os índios nativos foram dizimados e, na região foi introduzido o cultivo da cana-de-açúcar. Em 1670, ou seja, 176 anos depois, a ilha passou para o domínio inglês, que intensificou a produção e a exportação de açúcar graças ao extenuante trabalho dos escravos africanos que eram “importados” em imensa quantidade. Quando o Império Britânico em 1832 aboliu a escravidão, os ex-escravos da colônia  se tornaram cidadãos jamaicanos. Hoje a população do país é composta por cerca de 75% de afro descendentes.

Seis meses depois da independência do país, o senador jamaicano Frederick Duhaney listou, em discurso, para o Parlamento o espólio deixado pelos britânicos: metade dos jamaicanos não sabia ler e escrever; 70% não conheciam o pai; oito em cada dez não sabiam por quem eram governados.

Nas relações de dominação, como acontece entre colonizadores e colonizados, prioriza-se de um lado a obediência, a docilidade e a alienação e do outro, o lucro, as vantagens e a preservação da autoridade. O paternalismo faz parte do jogo de interesses do colonizador.

Assim, 468 anos de domínio, ora espanhol, ora britânico, não ajudaram nem prepararam os jamaicanos para os difíceis momentos que enfrentariam após a independência. Atualmente, o país tem cerca de 2,8 milhões habitantes, um desemprego na faixa dos dois dígitos e uma inflação nas alturas. Além da pobreza, a Jamaica tem um dos índices de criminalidade mais altos do mundo e elevado nível de corrupção.

Mas, mesmo assim, agora os jamaicanos podem sonhar e buscar um destino melhor, como já aconteceu com alguns de seus conterrâneos que ousaram e acreditaram na  própria capacidade e se tornaram referências  em suas áreas de atuação: o inesquecível músico Bob Marley e o velocista Usain Bolt. Quantos talentos mais existem na jovem nação caribenha?

Mas, para que seus descendentes tenham as oportunidades que merecem os jamaicanos terão que acreditar na própria capacidade de erguer o país, sem a tutela de seus antigos colonizadores ou de novos. A exaltação de outras culturas em detrimento a nossa própria é uma forma infantil de lidar com as dificuldades, servindo apenas para justificar a nossa própria omissão e falta de compromisso com as mudanças.   
 



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