Convivendo com a Diferença

A luta das mulheres sauditas

Restrições à liberdade e à autonomia

A  A  A     

25 de maio de 2012

As restrições à liberdade e à autonomia das mulheres muçulmanas não são as mesmas no mundo árabe. Há países muçulmanos em que a burca já foi completamente abolida, as mulheres participam do pleito eleitoral, frequentam universidades, dirigem seus carros e trabalham. Em outros, entretanto, elas não têm qualquer autonomia e são tuteladas pelos homens da família, seja o pai, o marido, ou o irmão e, na falta desses, dependem de um parente mais próximo, como um tio ou um primo. 

Qual a razão de tanta diferença de comportamento, se o Deus é o mesmo e as instruções de Alá se encontram no Alcorão, Livro Sagrado de todos os muçulmanos?

É na subjetividade da interpretação da Palavra divina que está a resposta. A subjetividade está sujeita aos interesses pessoais e políticos dos líderes religiosos e governantes, especialmente nos países onde a religião e o Estado se confundem.

Quem sabe faz a hora

Mas as redes sociais vem permitindo que o contato entre descontentes se alastre mesmo em países onde há opressão e falta de liberdade. A Primavera Árabe, como ficou conhecida a sucessão de quedas de ditaduras em países árabes, é um exemplo da força da união dos insatisfeitos que a internet ajudou a reunir.

O Reino da Arábia Saudita - uma monarquia absoluta (o rei é chefe de estado e também de governo) - conhecido não só por ter a maior reserva de petróleo do mundo e ser o país árabe mais rico, mas também por ser um dos países que mais infringem os direitos humanos e mais impõem restrições às atividades femininas, conseguiu, aparentemente, sobreviver à Primavera Árabe, mas vem experimentando há tempos a rebeldia e a união feminina. 

As mulheres sauditas são tratadas como criança ou incapaz. Precisam da aprovação por escrito de seu responsável masculino para fazer até pequenas coisas como abrir uma conta bancária, viajar para o exterior, trabalhar ou se submeter a certas cirurgias. Não podem andar em conduções públicas junto com homens. Não votam.

Além disso elas estão proibidas de dirigir, embora muitas tenham carteira internacional de motorista, tirada em outros países, como Catar, Jordão e Egito. Embora não existam leis na Arábia Saudita proibindo as mulheres de dirigir, só os homens podem tirar carteira de habilitação.

No final de 2011, várias dessas mulheres desafiaram o governo, e seu controle, se deixando filmar enquanto dirigiam pelas ruas de várias cidades do reino, postando os vídeos no You Tube para que o mundo e, especialmente, para que outras mulheres sauditas as vissem. A líder do movimento e algumas dessas mulheres foram presas e uma delas chegou a ser condenada a 10 chibatadas que acabaram sendo perdoadas pelo rei.

O direito de dirigir é um dos primeiros de uma longa lista de reivindicações. Apesar de muitas jovens já cursarem as universidades, as chances de emprego são raras. Hoje já se admite no país que as mulheres trabalhem como vendedoras em lojas ou supermercados. Antes disso, quando só os homens podiam trabalhar, as mulheres tinham que passar pelo constrangimento de serem atendidas por homens até em lojas de lingerie ou esperar que os homens da família comprassem para elas esses produtos.

Cada nação tem sua própria cultura e conviver com a diversidade é uma oportunidade de aprender novos entendimentos. Foi assim que muitas mulheres sauditas descobriram que os seus destinos podem ser bem diferentes sem infringirem as leis de Alá, nem ofenderem o Alcorão.



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