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   NOTÏCIA POSTADA DIA 26-02-2010VOLTAR  
VENEZUELA
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Após decretar estado de emergência elétrica na Venezuela devido à escassez de água, o presidente Hugo Chávez resolveu também aplicar multas aos moradores que não economizarem energia e água. A situação é tão grave que a seca fez ressurgir um antigo vilarejo no oeste do país, inundado há 26 anos para a construção de um complexo hidrelétrico.

Parte da igreja, localizada no Estado de Táchira, começou a aparecer após a redução de 30 metros no nível das águas da represa que abastece o complexo hidrelétrico. A construção tem 25 metros de altura e é considerada o símbolo de Potosí. Muitos destroços - entre eles partes da prefeitura, da prisão, do cemitério, e do pilar que amparava o busto de um dos heróis da independência venezuelana - resistiram à inundação e voltaram a aparecer depois da seca.

A memória de Potosí

A pequena cidade que foi inundada pela barragem em 1985 para a construção da usina hidrelétrica de Uribante - que atualmente chegou ao seu menor nível das últimas décadas – é palco de grandes lembranças para ex-moradores da antiga região. É o caso de Josefa García, de 74 anos, que se diz grata pela seca, pelo fato de poder reviver suas lembranças de quando viveu em Potosí: "Voltar me dá alegria, mas dá tristeza de ver a situação em que está", afirmou a Josefa ao se deparar com os destroços de onde morava.

Antes que as águas tomassem o local em 1984, cerca de 1.200 moradores foram dispersos pelo país e a grande maioria nunca mais havia voltado ao local.

O grande responsável pela seca

Provocada pelo El Niño - fenômeno climático que ocorre em decorrência da elevação irregular da temperatura das águas do oceano Pacífico - a seca na Venezuela tem ocasionado muitos inconvenientes, além do racionamento de água e energia, razão de um grande mal-estar entre venezuelanos e o presidente. Chávez já havia sugerido que a população reduzisse o tempo gasto embaixo do chuveiro, levando também ministérios e estatais a cortar em 20% o consumo energético.

O El Niño, ainda uma incógnita sobre suas origens e causas, provoca significativas mudanças no clima mundial, entre elas as alterações no regime das chuvas em diversos pontos do planeta. Além disso, o aumento da temperatura das águas afeta diretamente os pescadores de outras regiões, como Peru e Chile, já que reflete na diminuição da ocorrência de peixes.

El Ninõ no Brasil?

Embora fenômenos desse porte aqui no território brasileiro sejam incomuns, os reflexos do El Niño já foram percebidos em diversos pontos do país. A rigorosa estiagem que castigou a região Nordeste e as enchentes na região Sul que aconteceram em 1998 foram conseqüências do forte aumento de temperatura das águas do Pacífico, que, na ocasião, atingiram 4°C de aquecimento anormal.

Além disso, a diminuição nos índices pluviométricos da região Norte, que provocou secas e incêndios, também foi resultado do El Niño.

Situação atual é crítica

A situação na Venezuela tem se tornado cada vez mais grave. A queda no nível do açude (que perde diariamente 14 centímetros de água) atingiu o complexo Uribante Caparoa diretamente na geração da central hidrelétrica, reduzindo a capacidade (que é de 300 MWh ) a apenas 7% do total .

Segundo Juan Bautista Barilla, presidente do complexo, o país nunca enfrentou uma crise elétrica desse porte, que já pode ser considerada a pior na história nacional. "Nunca tínhamos enfrentado algo parecido. Estamos em uma situação crítica", disse ele.

Barilla também revelou que a seca tem provocado ondas de racionamento diárias. "Essa situação nos levou a racionamentos de energia que afetam diretamente a população", afirmou. Em média, cinco Estados do oeste da Venezuela estão sofrendo cortes de eletricidade de até duas horas e meia, diariamente. A solução, segundo o diretor, é racionar ainda mais, caso a seca continue. O objetivo é esperar o período de chuvas, que só começa em meados de maio.

Moradores também são responsáveis pela seca, diz o governo

De acordo com o governo venezuelano, a atual crise está totalmente ligada ao fenômeno climático El Niño, mas tem suas raízes no desperdício de energia dos consumidores. Outra atribuição as consequências da seca é feita aos governos anteriores, pelo fato de terem criado um sistema energético dependente de hidrelétricas.

Para tentar solucionar o problema, a meta do governo atual, segundo dados da Corporação Elétrica Nacional, é acrescentar, até 2015, 15 mil MWh ao sistema nacional de energia, que contará também com a geração de energia por termelétricas.

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