Cientistas conseguem criar hemácias a partir de embriões descartados.
É muito difícil que descobertas de teor revolucionário, com potencial para mudar o cotidiano ou a forma como vemos o mundo, surjam sem muitos anos de estudo e pesquisa, principalmente as da área de genética, saúde e tecnologia. Mas, mesmo assim, há quem duvide do poder da ciência e de suas possibilidades de converter conhecimento em concretizações.
Para essas pessoas, a ciência provou mais uma vez que está pronta para vencer qualquer barreira. Cientistas britânicos conseguiram criar hemácias a partir de células-tronco retiradas de embriões descartados por clínicas de fertilização in vitro. Segundo o jornal inglês "The Independent", o feito faz parte de um projeto que pretende produzir sangue artificial em escala industrial e acabar de uma vez com o drama da falta de doares.
De acordo com Marc Turner, chefe do projeto e diretor do serviço de Transfusão de Sangue da Escócia, o sangue artificial, além de solucionar o problema da falta de doadores, pode também extinguir o risco de transmissão de doenças infecciosas durante as transfusões.
O projeto, que está estimado em cerca de US$ 5 milhões, visa desenvolver outra alternativa para o sangue O negativo - grupo doador universal - que pode ser usado sem causar rejeição.
A produção
O estudo, patrocinado pela fundação médica britânica Wellcome Trust conseguiu estabelecer numerosas linhagens de células-tronco, a partir dos embriões descartados. Uma delas, conhecida como RC-7 passou por um processo onde foi convertida primeiro em células-tronco do sangue e depois em hemácias.
As Hemácias
Também conhecidas como eritrócitos, as hemácias são as células vermelhas do sangue. São anucleadas e em forma de discos bicôncavos. Elas apresentam essa coloração vermelha devido à presença, em seu citoplasma, de grande quantidade de hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio no sangue.
Você sabia que em cada milímetro cúbico de sangue contém, aproximadamente, 5.000.000 hemácias?
Composição sanguínea
Uma pessoa sadia tem cerca de 45% do volume de seu sangue composto por glóbulos vermelhos (a maioria), glóbulos brancos e plaquetas. Existe ainda um fluido claro e amarelado, chamado plasma, que constitui o resto do sangue.
Na superfície dos glóbulos vermelhos existem substâncias chamadas de antígenos que determinam o tipo sangüíneo, ou seja, se houver um determinado antígeno ele será do tipo A; se houver outro será do tipo B; se tiver ambos será AB, e se não tiver nenhum, será do tipo O - único grupo que pode servir de doador para a maioria da população.
A presença dos antígenos gera uma ação dos anticorpos. Assim, indivíduos do grupo A, com hemácias portando o antígeno A, não podem receber o anticorpo Anti A, que geraria uma reação de destruição das células (reação hemolítica). O mesmo ocorre com indivíduos do grupo B, em relação ao antígeno B. Por isso, nas transfusões, há de se ter compatibilidade sanguínea.
Vale lembrar que o tipo de sangue dos indivíduos resulta da combinação de características herdadas de seus progenitores, pai e mãe e isso não se pode mudar. Mas o sangue do tipo O, ajuda a salvar milhares de vida por ser um tipo que dificilmente é rejeitado pelo organismo humano.
No futuro, um milhão de litros de sangue por ano
Depois da criação das hemácias, a próxima etapa consiste em testar as novas células em animais e, num prazo de novo máximo cinco anos, em seres humanos.
Se o experimento der certo, a meta, segundo os especialistas é produzir um milhão de litros de sangue artificial por ano. Esse volume poderia suprir a necessidade de sangue dos bancos hospitalares.
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