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O crescimento dos países emergentes e o aumento do crédito aumentaram consideravelmente o poder de compra da população. No Brasil, a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), promovida pelo governo há 10 meses, foi mais um fator que ajudou a aquecer o comércio. Isso quer dizer que as vendas de fogões aumentaram 6%; que foram vendidos 25% de refrigeradores a mais e que outros 25% de lavadoras foram adquiridos pelo consumidor. Antes desse crescimento, porém, acompanhamos a expansão das vendas de computadores e aparelhos celulares. Mas, para onde vão todos esses produtos depois de descartados?
Para responder a essa pergunta, um estudo realizado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) elaborou um relatório específico para países emergentes que constatou: o Brasil é o país emergente que mais produz lixo eletrônico por pessoa, com o agravante de não possuir programas de gestão do material descartado. Por ano, cada brasileiro descarta 0,5kg de produtos eletrônicos, mais do que os chineses que se desfazem de 0,2kg.
A poluição em números
A estimativa da ONU é de que sejam geradas anualmente cerca de 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico. A maior parte desse montante é produzida na Europa, entretanto, o que preocupa a Organização é a expansão desse fenômeno nos países emergentes que não possuem a tecnologia e o preparo para lidar com o problema.
A ONU criticou o Brasil por não recolher dados oficiais sobre o assunto sendo necessário que a Organização buscasse, ela própria, os números da poluição eletrônica. Segundo esse levantamento, nosso país abandonou, no último ano, 96,8 mil toneladas métricas de PCs, perdendo só para a China que se desfez de 300 mil toneladas. Entretanto, o Brasil se torna campeão na análise per capita já que países como a China a Índia, por exemplo, possuem muito mais habitantes.
Outro ponto sublinhado pela ONU foi o descarte de geladeiras, que em nosso país chegou a 115 mil toneladas, e nos colocou como líderes entre emergentes (ao lado da China que descarta 495 mil toneladas de refrigeradores por ano, algo em torno de 0,4kg por pessoa). O setor de impressoras é outro grande poluidor e produz, anualmente, outras 17,2 mil toneladas de lixo no Brasil. Além disso, em 2009, foram geradas mais 2,2 mil toneladas de lixo proveniente de celulares.
Os números, porém não são alarmantes só no Brasil e na China. A ONU alerta também para o crescimento do consumo em países como a Índia e a África do Sul onde as estimativas apontam para um aumento entre 500% e 400% no descarte de aparelhos eletrônicos, até 2020.
Uma questão de prioridades
Segundo a Organização das Nações Unidas, o Brasil estaria no grupo de países mais preparados para enfrentar o desafio do lixo eletrônico, mas o alerta é de que a situação hoje não é satisfatória. As informações sobre lixo eletrônico são escassas e não há uma avaliação completa do governo federal sobre o problema. A ONU ainda indica que falta uma estratégia nacional para lidar com o fenômeno, e que a reciclagem existente hoje não é feita de forma sustentável.
Em seu relatório, a ONU pede que todos os países, emergentes e desenvolvidos, tratem a questão do descarte de lixo eletrônico como prioritária já que estamos diante de um problema ambiental e também de saúde pública. Os resíduos jogados no meio ambiente são, muitas vezes, tóxicos e oferecem grandes perigos para os seres vivos que entram em contato com essas substâncias.
A solução para esse problema estaria então do descarte seguro de materiais tóxicos e na reciclagem dos demais componentes (plástico e metal, entre outros). Uma das estratégias sugeridas pela ONU é a criação de "centros de gestão de lixo eletrônico" além do desenvolvimento de novas tecnologias de reciclagem e do maior investimento no setor.
Reciclagem brasileira
A Universidade de São Paulo (USP) criou o Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática (Cedir). O objetivo do Centror é receber computadores e outros materiais eletrônicos descartados pela própria USP, avaliá-los e, caso possam ser reaproveitados, encaminhá-los para entidades sociais. Quando o equipamento não puder ser recuperado, ele será desmontado e as suas peças serão separadas por tipo de material (metal ferroso e não-ferroso, alumínio, plásticos, etc.). Cada tipo material é vendido para um tipo diferente de empresa de reciclagem especializada. A iniciativa tem chamado a atenção de pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e deve receber apoio internacional no próximo ano. Quem sabe não se torna um modelo de reaproveitamento de lixo eletrônico?
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