Jornais britânicos passam a cobrar por conteúdo online.
Como cobrar pelas informações disponibilizadas pelos jornais online? Essa pergunta começou a ser respondida pela News International, empresa de comunicação dona dos jornais britânicos The Times e Sunday Times. A companhia anunciou esta semana que vai começar a cobrar pelo acesso aos sites dos jornais, para ler as matérias o usuário terá que pagar uma libra por dia (cerca de R$ 2,66) ou então 2 libras (aproximadamente R$ 5,30) por uma semana. Segundo James Harding, editor do The Times, os usuários terão acesso a comentários interativos, gráficos, vídeos e conteúdos para celular e outros dispositivos móveis. O novo sistema entrará no ar em maio e os internautas poderão utilizar os sites gratuitamente por um período de testes. No fim do ano passado, a News Corp, outra empresa de comunicação do mesmo país, anunciou que iria cobrar por seus conteúdos. A companhia, que controla o New York Post e The Sun, é uma das poucas a vender assinaturas para conteúdo online.
Queda nas vendas
Assim como já aconteceu com as gravadoras, que, por causa da queda nas vendas saíram em buscas de alternativas para driblar os downloads ilegais. Agora é a vez das empresas de comunicação buscarem retorno financeiro para o seu conteúdo jornalístico online. Atualmente, a única fonte de receita das versões online vem da publicidade, o que mantém as páginas lotadas de pop ups e banners animados.
Com a queda nas vendas dos impressos, os jornais tem buscado alternativas para obter lucro com suas versões para a internet. A iniciativa de cobrar pelo acesso ainda é polêmica e divide o setor. Segundo a presidente executiva da News Corp, Rebekah Brooks, a decisão foi tomada num momento importante para o jornalismo, ao que James Harding completou dizendo que a medida é menos arriscada do que simplesmente “entregar tudo de graça”.
Alguns especialistas discordam da decisão, para Tim Weber, editor de economia da BBC, o novo modelo adotado pelo The Times e o Sunday Times está fadado ao fracasso, pois não há um sistema de pagamentos estabelecido. Segundo Eric Schmidt, presidente executivo do Google, as empresas de notícias descobrirão que será muito difícil cobrar por conteúdo online porque já há muitas informações disponíveis na internet de graça. Outros analistas afirmam que o fim da gratuidade no acesso vai afastar usuários e impactar negativamente a renda publicitária.
Pelo mundo
Outros jornais pelo mundo também anunciaram que vão cobrar pelo acesso online. Na França, o Le Monde começará a cobrar pelo acesso a determinadas partes do site já na próxima segunda. O americano, New York Times, que abandonou duas tentativas de cobrar pelo acesso, anunciou que, a partir de 2011, terá um sistema que permitirá a leitura de alguns artigos, mas exigirá o pagamento de assinatura para conferir o conteúdo completo do jornal.
Um pouco da história do jornalismo
O Acta Diurna, datado em 69 a. C., é primeiro jornal impresso de que se tem registro. O periódico era o informativo oficial do governo do imperador César, em Roma. Distribuído regularmente, o jornal noticiava o resultado das guerras, dos jogos e as atividades políticas, um exemplo de como a demanda por informações é quase tão antiga quanto a humanidade. Essa necessidade, entretanto, esbarrava na dificuldade de impressão dos jornais.
Somente em 1440, com a imprensa de Gutemberg, seria possível produzir e reproduzir volumes e impressos. A partir do século XVII, então, surgem jornais semanários na Europa e com grande força na França e Alemanha. O Iluminismo no mesmo século e a Revolução Francesa, no seguinte, produziram uma nova visão intelectual de mundo e de formação de direitos do homem, que, encontrou nos jornais uma forma de divulgação de ideias. A impressora a vapor, inventada após a Revolução Industrial possibilitou a impressão de periódicos em grande escala e em menor tempo. Aos poucos a publicidade foi entrando no veículo jornal, ajudando a baixar o preço final do exemplar e fortalecendo o jornal como um veículo profissional e comercial de divulgação de informação.
E você, o que acha? Os jornais estão certos em cobrar pelo acesso aos seus conteúdos online ou a publicidade já faz esse pagamento?
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