Congelamento de pacientes durante cirurgia pode diminuir sequelas.
Já imaginou a possibilidade de alguém ser congelado a ponto de ser considerado morto e depois "voltar" a vida sem nenhum tipo sequela? É uma situação complicada, considerando que a submissão do corpo humano a temperaturas muito baixas pode levá-lo ao estado de hipotermia e, em muitos casos, à morte. Mas, uma nova técnica utilizada por médicos nos Estados Unidos pode mudar a visão que a comunidade científica tem da hipotermia.
Utilizada no Hospital New Haven da Universidade de Yale, a técnica foi inspirada no caso de uma esquiadora que sobreviveu sem sequelas depois de ter caído em um buraco no gelo e seu coração ter parado de bater por mais de 3 horas. A técnica consiste em congelar os pacientes até o ponto em que são considerados mortos para depois submetê-los a cirurgias cardíacas complicadas.
A temperatura do corpo do paciente é reduzida para 18 graus centígrados. Nesse estado, o indivíduo fica totalmente sem pulso, sem pressão e sem sinais de atividade cerebral. Com o corpo em estado de baixa temperatura, os cirurgiões ganham tempo para realizar a operação, pois diminuem a necessidade do uso de anestésicos e máquinas, reduzindo assim, o risco de danos ao cérebro e outros órgãos. O procedimento adotado depois da cirurgia é o de aquecimento do corpo e a utilização de um desfibrilador para estimular o coração.
Hipotermia
A temperatura central do nosso corpo precisa manter-se entre 36,5ºC e 37,5ºC. Quando está abaixo desses números, muitos sintomas começam a aparecer, desde frio até a morte. A hipotermia é quando essa temperatura cai abaixo de 35ºC, ou seja, há uma perda excessiva de calor, de forma não intencional.
Para saber a se alguém está sofrendo um quadro de hipotermia, os médicos utilizam um termômetro especial, pois nosso corpo possui um mecanismo termoregulador, que tem a função de controlar a temperatura que envolve as vias nervosas do cérebro e da medula espinhal.
Quando ocorre uma brusca queda da temperatura, nossas terminações nervosas detectam isso, e em seguida, o organismo começa a realizar a vasoconstrição, que é a diminuição do calibre dos vasos sanguíneos, principalmente da pele. O objetivo dessa reação é diminuir a perda do calor e estabilizar a temperatura interna. Por isso a pele fica fria. Quando a vasoconstrição não atua de forma suficiente para controlar a queda, aparecem os tremores, que são consequências das contrações involuntárias dos músculos esqueléticos que geram calor.
Se o tempo de exposição ao frio ambiental for prolongando pode ocasionar um colapso do mecanismo termoregulador, inclusive na vasodilatação na pele. Nesse caso, há uma perda de calor para o exterior. Depois, o indivíduo começa a sofrer de perda de consciência e alteração de suas funções vitais, que vai evoluindo até a morte.
A ciência e a natureza atuando juntas
Segundo cientistas, o fato de Anna Bagenholme, de 29 anos, ter sobrevivido ao acidente, alterou o conceito de vida e morte. O coração de Anna parou de bater por mais de três horas e sua temperatura corporal caiu para 13.7 graus centígrados, sendo a mais longa parada cardíaca da história, e com a temperatura mais fria já registrada.
Para trazê-la de volta, os médicos aplicaram o processo de ressuscitação e começaram a aquecê-la lentamente. Depois de um tempo, o coração de Bagenholme voltou a bater e três semanas mais tarde, ela abriu os olhos e começou a se recuperar. A sobrevivência da esquiadora já era algo a se considerar milagroso, ter escapado sem sequelas, foi revolucionário.
O feito motivou muitos médicos a tentarem entender esse processo e salvar outros pacientes. Nas técnicas utilizadas em circunstâncias normais, é feito uso de uma máquina coração-pulmão para substituir as funções do órgão, no caso de ter que parar o coração para realização da cirurgia. Em algumas situações, o uso da máquina não é possível, logo, a técnica de utilização da hipotermia está se provando uma ótima alternativa.
De acordo com o cirurgião John Elefteriades, que realiza cirurgias com indução de hipotermia, “é a técnica mais fascinante que já vi em medicina e, a cada vez, parece um milagre ela funcionar".
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