Nova pesquisa questiona teoria de Darwin.
Em 1859 Darwin publicou a tese que revolucionou o pensamento humano sobre a origem e a evolução das espécies. Segundo o darwinismo, como a teoria ficou conhecida, os grupos de organismos evoluem gradualmente de acordo com a seleção natural. Essa seleção tem duas fases: a primeira, que é a diversificação das espécies, regida pela casualidade, e a segunda fase que é dominada pela necessidade, pelo critério de sobrevivência dos mais aptos.
As reações ao darwinismo foram muitas e imediatas, o autor da “A Origem das Espécies”, foi acusado por outros cientistas de não comprovar suas hipóteses e de não explicar a origem das variações genéticas. Os defensores do Criacionismo, teoria difundida pela Igreja que defende que Deus criou os homens a sua imagem e semelhança, são, até hoje, os mais fortes opositores.
Embora enfrente oposições, o darwinismo ainda é a teoria mais aceita para a origem das espécies, mas, recentemente, a revista cientifica Biology Letters publicou um artigo defendendo que Darwin poderia estar enganado sobre o principal fator da evolução. O texto é fruto de uma pesquisa conduzida pelo aluno de pós-doutorado Sarda Sahney juntamente com outros colegas da Universidade de Bristol e afirma que a disponibilidade de espaço para desenvolvimento de vida é mais importante para a evolução do que a competição.
A pesquisa focou em anfíbios, répteis, mamíferos e pássaros e utilizou fósseis para estudar os padrões de evolução desses animais ao longo de 400 milhões de anos. Assim, os pesquisadores afirmam ter encontrado uma relação entre a quantidade de biodiversidade e o espaço disponível para a vida se desenvolver ao longo do tempo.
Nichos ecológicos
O conceito de espaço para a vida, conhecido como nicho ecológico, diz respeito às necessidades particulares de cada organismo para sobreviver. Entre os fatores estão a disponibilidade de alimentos e um habitat favorável à procriação. No artigo, os pesquisadores sugerem que grandes mudanças na evolução de espécies acontecem quando animais se mudam para áreas vazias, não ocupadas por outros bichos. Um exemplo seria quando os pássaros começaram a voar. Ao deixar o ambiente terrestre, eles abriram espaço para que outras espécies pudessem se desenvolver.
Da mesma forma, enquanto conviveram com os dinossauros os mamíferos não apresentaram grandes evoluções, mas quando estes foram extintos, dominaram a Terra. Segundo a teoria isso aconteceu porque a extinção dos dinossauros liberou “espaço para a vida” o que proporcionou a evolução dos mamíferos.
A nova teoria vai de encontro ao que Darwin afirma. Para o autor, a intensa competição por recursos em ambientes altamente populosos é a grande força por trás da evolução já que é a responsável pela seleção natural ou sobrevivência do mais forte.
Criticas
A nova teoria já recebe criticas, para o professor Stephen Stearns, biólogo evolucionista da universidade americana de Yale, a pesquisa apresenta padrões interessantes, mas possui problemas na interpretação. Ele questiona, por exemplo, se o motivo dos mamíferos só terem se expandido após a extinção dos dinossauros não seria justamente a competição das espécies por alimento, abrigo e comida. Além disso, Stearns aponta que a necessidade de se ocupar novas porções do espaço geográfico pode ser, também, evitar a competição com outras espécies no espaço de origem.
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