Pré-candidatos do partido republicano disputam prévias eleitorais.
Iniciado no começo do ano eleitoral, o processo para escolha dos candidatos à presidência dos Estados Unidos está a pleno vapor. Lá os candidatos ao cargo também são escolhidos através de votação, nas chamadas prévias, diferente do que ocorre no Brasil. Ontem, 31, o pré-candidato mais cotado pelo partido Republicano, Mitt Romney, confirmou seu favoritismo. Ele venceu a primária da Flórida, estado mais importante disputado até agora, com cerca de 46% dos votos.
Em seu discurso de vitória, na cidade de Tampa, Romney se direcionou principalmente ao atual presidente do país, Barack Obama. “Minha liderança vai encerrar a era Obama e iniciar uma nova era de prosperidade americana. As primárias não nos dividem; elas nos preparam. Chegaremos à convenção, aqui em Tampa, como um partido unido e com uma chapa vencedora”, afirmou ele.
As eleições acontecerão em 06 de novembro deste ano. Os quatro pré-candidatos pelo Partido Republicano, além de Romney, são Newt Gingrich, ex-titular da Câmara de Representantes; Rick Santorum, ex-senador e o representante do Texas, Ron Paul.
Eleições nos Estados Unidos
O processo eleitoral dos Estados Unidos se difere em muito do processo brasileiro: as eleições começam com as prévias, que são realizadas em todos os 50 estados, e são elas que definem o candidato de cada partido. Neste ano, somente o partido Republicano realiza este processo, já que Obama tentará a reeleição pelo partido Democrata. Estes dois partidos concentram a disputa das eleições, pois são os maiores. Antes de tudo, é preciso ser estadunidense, ter mais de 35 anos e residir no país há 14 anos. Inicialmente, acontecem as caucuses (em que os membros do partido escolhem o mellhor representante através de debates) e as primárias (em que os membros do partido de cada estado votam no pré-candidato que melhor irá representá-los). Em seguida, eles fazem campanha por todo país para conseguir apoio e se tornar o representante do partido. Quando os candidatos são selecionados, ocorre a fase definitiva da eleição, ou seja, a população vota para escolher o presidente e o vice-presidente. Mas, ao fazer isso, ela está votando em um colégio eleitoral, sistema em que cada estado representa um número de votos. No Texas, por exemplo, a soma dos votos de todos os eleitores representa 34 votos no colégio eleitoral. No total, o sistema tem 538 votos. O candidato que obtiver mais da metade deles, 270, é o vencedor. Republicanos x Democratas Apesar de não serem os únicos, os partidos Republicanos e Democratas são os principais dos Estados Unidos. Desde meados do século XIX, eles têm ocupado o poder, porém ambos têm características distintas entre si. Criado em 1854, o partido Republicano foi implantando em oposição à escravidão e dominou a política até a crise de 29, quando passou a perder espaço para os democratas. A força eleitoral republicana é caracterizada por brancos, religiosos, favoráveis ao capitalismo e à redução de impostos. Eles se opõem ao casamento entre homossexuais e ao financiamento público de abortos. Seus principais representantes políticos foram Abraham Lincoln, Theodore Roosevelt, Dwight Eisenhower, Richard Nixon e George W. Bush. O partido Democrata foi criado em 1833 para representar os estados do Sul, favoráveis à tradição escravocrata. Mas, após a segunda Guerra Mundial, o partido passou a defender a igualdade racial e as minorias. É considerado centro-esquerdista e equilibra o capitalismo com programas sociais. É apoiado pelos sindicatos e, até hoje, defende as minorias, além do aborto e da educação pública. Seus principais representantes foram Harry Truman, John F. Kennedy, Bill Clinton, Franklin Roosevelt e do atual presidente, Barck Obama. A crise dos Estados Unidos Se eleger presidente não é a única batalha a ser vencida. O candidato vencedor terá de lidar com um país que enfrenta o quinto ano de uma crise econômica que atingiu todo o globo. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), neste ano, a previsão de crescimento é de 1,8%, um valor muito abaixo do necessário para a criação de novos empregos. Agora, a economia é um dos principais fatores dos americanos na hora de decidir o voto. Outros temas importantes para os eleitores também estão relacionados a gastos, como impostos, dívida do governo, recessão, desigualdade social e má forma do sistema habitacional. O temor ao terrorismo, que alavancou a reeleição de George W. Bush, em 2004, hoje, pesa pouco na hora da decisão; somente 1% dos eleitores o considera como preocupante nas pesquisas de opinião.
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