Onda de ar seco provoca incêndios florestais.
Há algumas semanas, uma forte onda de ar seco predomina sobre grande parte do Brasil. Em algumas regiões, esse sistema tem contribuído para a formação de focos de incêndios florestais.
Dentre as áreas que foram atingidas, pelo menos seis regiões de São Paulo estão com taxas de umidade do ar semelhantes às do deserto do Saara, que têm variações entre 10% a 15%. De acordo com o Sigam - Sistema Integrado de Gestão Ambiental, da CETESP (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), das 38 estações medidoras, sete registraram valores inferiores a 15% nesta segunda-feira, duas delas na região de São José do Rio Preto. Ainda segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), este tipo de clima tem sido frequente em nove estados brasileiros e no Distrito Federal.
Por causa do tempo seco, o ar se torna mais poluído. No último domingo, de dez estações em funcionamento da CETESP, cinco classificaram o ar como inadequado e, uma, na Mooca, classificou como de má qualidade. As demais registraram qualidade regular. Por causa da ausência de chuva, os próximos dias tendem a ser muito secos e a poluição do ar deve atingir níveis elevados.
Ar seco x umidade relativa do ar
Diariamente ouvimos no noticiário a previsão do tempo e o termo "umidade relativa do ar" sempre está presente. Muita gente, porém, não sabe do que se trata e nem como ele pode influenciar nossas vidas. A umidade relativa marca a relação entre a umidade absoluta do ar e a umidade absoluta do mesmo ar no ponto de saturação à mesma temperatura, indicada normalmente em (% UR).
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), para não fazer mal ao organismo essa umidade tem que beirar pelo menos 60%. Com a brusca mudança do clima, a umidade registrada em São Paulo, Minas Gerais, Tocantins, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pará e Rondônia é 30%, metade do que aconselha a OMS.
Focos de incêndio
Além de fazer mal à saúde, essa mudança no clima é uma das causas dos focos de incêndio espalhados pelo Brasil. Segundo informações, esses incêndios têm emitido mais gases do efeito estufa do que toda a atividade industrial e geração de energia - incluindo os derivados de petróleo.
Dados apontam que as queimadas já consomem mais de um milhão de hectares no Tocantins e avançam muito rápido sobre as florestas. De acordo com o coordenador do Greenpeace, Paulo Adário, a umidade registrada em algumas regiões é assustadora. “Hoje a umidade relativa do ar está em menos de 15% no sul do Amazonas e no norte do Mato Grosso – 15% de floresta tropical úmida, enquanto em São Paulo e Minas Gerais está entre 20 e 25% - o que é absolutamente assustador”, disse ele.
As conseqüências dos incêndios podem ser vistas na paisagem: muita cinza e destruição. No Parque Nacional do Araguaia já foram destruídos 250 mil hectares. Quase um milhão de hectares em toda a Ilha do Bananal.
Especialistas afirmam que a temporada de incêndios na região ainda pode durar por mais dois meses, já que a primeira chuva não é esperada até novembro. Outra grande queimada também foi observada na mata de transição onde acaba o cerrado e começa a Floresta Amazônica.
O combate ao fogo nas regiões tem sido aéreo. Os helicópteros carregam uma espécie de balde, com mil litros de água. O suporte é feito pelos aviões, que fazem cair sobre as árvores uma chuva que, nesta época, a natureza não traz.
Tempo seco e a saúde
Além de prejudicar o meio ambiente, o tempo seco pode trazer problemas de saúde, entre eles, rinite, asma e bronquite, além de outros mais sérios como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Como se proteger?
Algumas dicas podem ajudar a melhorar a qualidade do ar que chega aos pulmões. Veja: coloque uma bacia cheia d’água na sala e no quarto ou até mesmo no ambiente de trabalho. Deixar o ambiente mais úmido é uma excelente maneira de evitar problemas respiratórios.
O acúmulo de poluentes no ar também é um dos grandes causadores de ardência nos olhos, garganta seca e pigarro. Para aliviar os sintomas:
- Procure ingerir bastante água (cerca de dois litros ao dia), além de sucos naturais feitos de maneira adequada e água de coco;
- Mantenha a higiene doméstica. Evite o acúmulo de poeira, que desencadeia problemas alérgicos;
- Prefira alimentos frescos e substitua frituras por alimentos assados;
- Durma em local arejado e umedecido;
- Evite banhos com água muito quente, que ressecam a pele, e use, sempre que possível, um creme hidratante;
- Use soro fisiológico para lavar os olhos e as narinas em caso de ressecamento.
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