Efeitos do acidente serão sentidos por séculos.
Quase 25 anos se passaram desde o acidente na Usina Nuclear de Chernobyl, mas seus efeitos ainda serão sentidos por séculos. Esta é a conclusão dos estudos realizados na região atingida, que tiveram seus resultados divulgados no mês passado. Segundo os pesquisadores, os efeitos da explosão nuclear foram subestimados e a área atingida seria muito maior. O estudo indicou que as populações de animais diminuíram na área em torno do lugar onde funcionava a antiga central nuclear soviética. Além disso, foram encontrados javalis com altos níveis de césio. Para os pesquisadores, os efeitos da contaminação radioativa depois da explosão ainda são “assombrosos”.
Alguns anos após o acidente, a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e outros organismos uniram-se aos governos de Rússia, Bielorússia e Ucrânia para criar o chamado Fórum Chernobyl. O encontro, realizado em 2006, vinte anos após o acidente, teve o objetivo de realizar um grande estudo sobre os efeitos do desastre e divulgar suas conclusões. O relatório, porém foi bastante criticado, pois concluiu que houve apenas 56 mortes diretas (47 socorristas e nove crianças com câncer de tireoide), e estimou em quatro mil as mortes indiretas.
Pesquisas independentes, entretanto, afirmaram que os efeitos do acidente foram muito maiores. O desastre, que liberou 200 vezes mais radiação do que a combinação das bombas de Hiroshima e Nagasaki juntas, teria vitimado cerca de 500 mil pessoas. O número incluiria os atingidos diretamente e os que desenvolveram doenças em decorrência do contato com a radiação.
Efeitos de longo prazo
O césio-137, substância liberada no acidente, é um radioisótopo, ou seja, um isótopo radiativo do césio produzido nas explosões e usinas nucleares. Facilmente absorvida pela água e pelo solo, a radiação do césio-137 pode durar cerca de 300 anos. Por essas propriedades, cientistas e ambientalistas alertam que os efeitos de longo prazo podem ser tão devastadores quanto o próprio acidente.
A exposição a pequenas doses de radiação pode ser a responsável por doenças cancerígenas, mutações genéticas e problemas de visão entre outros males. Entre 1992 e 2002, um estudo registrou mais de 3000 casos de câncer de tireóide em jovens que tinham até 18 anos na época do acidente. O alto número de casos numa faixa etária em que não é comum, chamou a atenção para os efeitos da radiação. O acidente liberou, também, grandes quantidades de iodo-131 no ar e a tireóide é a glândula responsável por reter este elemento na corrente sanguínea: estava explicada a incidência.
No inicio deste ano, médicos ucranianos e bielorussos informaram à imprensa da Ucrânia, que houve crescimento nos casos de câncer infantil em relação a outros problemas de saúde. Segundo eles, o aumento dos casos é um efeito do desastre.
O acidente
A explosão de um reator nuclear na Usina de Chernobyl atingiu uma área de 155 mil quilômetros que, na época, pertencia à ex-União Soviética e hoje abrange Ucrânia, Belarus e Rússia. Com a comunicação prejudicada pela Guerra Fria (o acidente aconteceu em abril de 1986) a população demorou a ser alertada e, quando soube da contaminação, tentou limpar o local. A iniciativa que só contribuiu para aumentar as mortes em decorrência da ausência de orientação e do contato com o material radiativo.
O pior acidente nuclear da história causou danos a terras e graves consequências aos que foram expostos à radiação. Aproximadamente 350 mil pessoas tiveram que deixar as áreas afetadas e ainda hoje a ONU tem uma estimativa de sete milhões de pessoas vivendo em áreas com perigosos níveis de radiação.
Apesar do acidente, a Usina Nuclear de Chernobyl continuou funcionando até 12 de dezembro de 2000, quando foi desativada por pressões internacionais.
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