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Capitanias Hereditárias

Tese identifica outra configuração nas divisões das terras.

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11/07/2014 03:13 atualizado em 11/07/2014 04:07

O universo acadêmico é um campo eminente de diálogos e muitas pesquisas. Inúmeros destes estudos científicos têm como objetivo analisar situações particulares e sugerir soluções pontuais para um determinado contexto. Em outros casos, as investigações se propõem a examinar cenários mais amplos com a finalidade de fomentar mudanças que irão interferir na história e na vida de muitas pessoas.

Essa característica da pesquisa científica, de interferir em cenários menores ou maiores, pode ser observada na área da saúde ou da educação, por exemplo. Algumas pesquisas educacionais já se dedicaram a observar um grupo de professores e alunos em uma delimitada escola para saber o motivo pelo qual aquela instituição consegue bons resultados nos exames de desempenho e assim, depois, disseminar os caminhos do sucesso para outros docentes da mesma região. Já, outras pesquisas da saúde analisaram um contexto micro e chegaram a promover mudanças comportamentais em diferentes lugares do mundo.



Estes pequenos exemplos são para reforçar que o celeiro de pesquisas acadêmicas é extremamente importante para a não estagnação da história da humanidade. Ou seja, as universidades com seus alunos, mestres e doutores se inclinam a buscar o novo ou reavaliar os resultados para reinventar o que era considerado definido.

Mapa das Capitanias

Uma tese elaborada por Jorge Cintra, membro do Instituto Histórico Geográfico de São Paulo, vem ao encontro desta característica da pesquisa científica ao sugerir que as capitanias hereditárias, do período de colonização do Brasil, não foram divididas do modo como o historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, em meados do século XIX, definiu.

A tese defende que na região Norte a divisão foi feita longitudinalmente, e não de modo latitudinal.



Segundo a historiografia tradicional, o território brasileiro foi dividido no sentido horizontal pelo rei de Portugal D. João III, entre 1534 e 1536.  Essa fragmentação territorial foi uma maneira que o rei encontrou para proteger o Brasil das invasões estrangeiras. As faixas de terras foram doadas para pessoas próximas ao rei (donatários) que tinha a responsabilidade de colonizar e administrar a região.

A tese defende que na região Norte a divisão foi feita longitudinalmente, e não de modo latitudinal. Para chegar a esta conclusão, o pesquisador reavaliou as cartas de doação das capitanias de São Vicente, Santo Amaro e Santana. Para Cintra, “a maioria das capitanias do Centro, realmente o rei mandava seguir a linha para o Oeste. Mas esses documentos mostram que, no Sul, isso não foi a regra. Até porque isso daria margem para capitanias muito estreitas no extremo.”

As capitanias hereditárias, que passavam de pai para filho, foram extintas por Marquês de Pombal, em 1759. Apenas as capitanias de Pernambuco e São Vicente prosperaram, uma vez que a falta de capital impediu o desenvolvimento das demais. 
Capitanias e seus donatários, segundo o historiador Francisco Adolfo de Varnhagen:

Capitania do Maranhão (1º Lote) – Donatário: Aires da Cunha e João de Barros

Capitania do Maranhão (2º lote) - Donatário: Fernando Álvares de Andrade

Capitania do Ceará – Donatário: Antônio Cardoso de Barros

Capitania do Rio Grande do Norte – Donatário: João de Barros e Aires da Cunha

Capitania de Itamaracá – Donatário: Pero Lopes de Sousa

Capitania de Pernambuco –Donatário: Duarte Coelho

Capitania da Bahia de Todos os Santos – Donatário: Francisco Pereira Coutinho

Capitania de Ilhéus – Donatário: Jorge de Figueiredo Correia

Capitania de Porto Seguro – Donatário: Pero do Campo Tourinho

Capitania do Espírito Santo – Donatário: Vasco Fernandes Coutinho

Capitania de São Tomé – Donatário: Pero de Góis

Capitania de São Vicente – Martim Afonso de Sousa

Capitania de Santo Amaro – Donatário: Pero Lopes de Sousa

Capitania de Santana – Donatário: Pero Lopes de Sousa

Ainda não sabemos até que ponto o estudo de Cintra irá interferir no ensino de História e na história, mas é relevante destacar que os caminhos desta investigação são importantes para enfatizar que o conhecimento não é algo cristalizado. O processo de construção do conhecimento é dialógico, rizomático e muitas vezes precisa ser reconsiderado e modificado.



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