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Capoeira

A manifestação cultural brasileira que virou patrinômio da humanidade.

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28/11/2014 · 03:53 · atualizado em 28/11/2014 04:18

Uma mistura de dança, esporte e luta! É assim que se compreende a capoeira. Esta arte oriunda dos escravos recebeu, na última quarta-feira, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) o título de patrimônio cultural da humanidade. Este reconhecimento da UNESCO é de suma importância, uma vez que a trajetória da capoeira é repleta de capítulos controversos que envolvem o tráfico negreiro no Brasil durante o período colonial.

 

Origens do esporte

Alguns especialistas em História do Brasil afirmam que a capoeira começou a ganhar espaço entre os escravos no século XVI. Neste período, a violência contra os africanos era uma prática comum nas fazendas e por isso, eles foram desenvolvendo habilidades para se proteger das severas punições dos colonizadores.

 

Os negros, que trabalhavam nos engenhos e viviam nas senzalas, eram proibidos de praticar suas crenças ou qualquer tipo de luta. Por este motivo, a capoeira surge disfarçada de dança ao combinar a cadência e os passos dos bailados africanos. Vale observar que a capoeira não era apenas uma forma de resistência física, visto que a atividade se tornou um dos poucos momentos de desopressão e nele era possível a preservação da cultura.

 

Outra informação relevante é que o nome capoeira está associado ao lugar onde ocorriam as rodas. Os africanos iam para os capoeirões que eram pequenos campos arborizados em torno das senzalas. Lá, faziam as rodas, entoavam os cantos e buscavam manter suas raízes.

 

Apenas em 1930, durante o governo de Getúlio Vargas e anos após o fim da escravidão, que a capoeira deixou de ser proibida. O capoeirista Manoel dos Reis Machado, o conhecido mestre  Bimba,  demonstrou a arte para o então presidente que a elevou ao status de esporte nacional. É neste contexto que a capoeira deixa de estar às margens da sociedade e aos poucos alcança espaço nas diversas camadas sociais.

 

A arte dinâmica

A capoeira é essencialmente dinâmica e possui variações. Entre elas:

 

Angola – É o estilo mais antigo, malicioso e praticado pelos escravos. O ritmo é lento, sem palmas e os golpes são jogados mais perto do chão.

Regional – A agilidade é uma das características deste gênero. O ritmo musical, as palmas e a malícia fazem parte.

Contemporânea – A capoeira contemporânea é uma fusão da angola com a regional. É o estilo mais praticado atualmente.  

 

A capoeira é um esporte cheio de musicalidade e, sendo assim, instrumentos musicais não faltam em suas exibições. O berimbau é o mais famoso deles, mas também há o pandeiro, agogo, caxixi, atabaque e vaqueta. Os versos de uma das músicas mais tradicionais dizem:

 

Vou dizer minha mulher, Paraná
Capoeira me venceu, Paraná
Paraná ê, Paraná ê, Paraná
Ela quis bater pé firme, Paraná
Isso não aconteceu, Paraná
Paraná ê ...Oh Paranauê, Paraná

 

Essa arte é recomendada para as pessoas que querem perder peso e melhorar o condicionamento físico, entretanto, a sua prática contribui muito para o equilíbrio emocional.  

 

Jurema Machado, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), expressou sua emoção ao comentar a ascensão desta manifestação cultural. “Nós estamos muito emocionados porque a capoeira, criada pelos escravos, proibida, interditada no Brasil por muitos anos, hoje é um patrimônio da humanidade, reconhecida pela UNESCO e presente em vários países do mundo”.

 

Salve a capoeira, o mais novo patrimônio cultural da humanidade!



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