A questão nuclear 65 anos após a tragédia.
Em 06 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançavam sobre Hiroshima a bomba atômica que destruiu a cidade japonesa e foi o início da rendição do país na Segunda Guerra. “Little Boy” , como foi batizado o artefato, foi a primeira ogiva nuclear da história, pesava quatro toneladas e tinha três metros de comprimento. Estima-se que mais de 140 mil pessoas morreram em decorrência desse bombardeio que foi seguido de outro, três dias depois, sobre a cidade de Nagasaki.
Passados 65 anos da tragédia, pela primeira vez o Japão recebeu representantes dos Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, países aliados durante a Segunda Guerra, para a cerimônia no Memorial da Paz. Outra presença inédita na cerimônia foi a do secretário geral da Organização das Nações Unidas (Onu). Segundo um porta-voz da instituição, a presença de Ban Ki-moon tem o objetivo de enfatizar a urgente necessidade de alcançar um acordo de desarmamento nuclear global.
Para o embaixador americano que depositou flores no monumento às vitimas, a iniciativa é uma demonstração de respeito pelos mortos no bombardeio. Oficialmente o país nunca se desculpou por ter usado as ogivas nucleares sobre o Japão e pesquisas revelaram que a maioria dos americanos considera os episódios um “mal necessário”.
Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP)
Fechado no ano de 1968, o tratado divide as nações em dois grupos: o primeiro formado por Estados Unidos, União Soviética (atualmente Federação Russa), China, Reino Unido e França e o outro, formado pelas demais nações, que devem assumir o compromisso de não obter armas nucleares. Ao todo, 189 países são signatários do acordo, porém alguns não concordaram com as condições como Irã, Israel, Índia e Paquistão.
Pelas regras do tratado os EUA e demais países do primeiro grupo, vencedores da II Guerra, podem manter suas armas atômicas, mas não podem transferir ou repassar a tecnologia para a fabricação de ogivas a nenhuma outra nação. Os demais países podem desenvolver tecnologia nuclear voltada especificamente para a produção de energia e fins pacíficos devendo sujeitar-se a inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Embora o TNP cobre das nações o total desarmamento, a questão ainda gera discussões. Em 2003 a Coréia do Norte divulgou a sua retirada do Tratado e a reativou suas usinas nucleares. Dois anos mais tarde o país anunciou que possuía armas nucleares e iria testa-las gerando pânico e uma grande crise diplomática. Somente em 2006 o governo norte-coreano concordou em desativar os reatores.
Outros países como o Irã, por exemplo, não fazem parte do acordo e não permitem a inspeção da AIEA em suas instalações para enriquecimento de urânio, gerando apreensão na comunidade internacional.
Mundo Sem Armas Nucleares
Num discurso que lhe deu o Prêmio Nobel da Paz, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu um mundo sem armas nucleares numa iniciativa para que até mesmo os países autorizados se desfaçam de seus arsenais. Atualmente o país é detentor de 99% das ogivas existentes no mundo, ao todo são cerca de 22.000 bombas. O país tem o apoio da Grã-Bretanha, mas encontra resistência da França que prefere a redução dos arsenais à menor quantidade possível.
Durante a cerimônia pelos 65 anos da tragédia o prefeito de Hiroshima, Tadatoshi Akiba, se juntou aos que pedem um mundo sem armas nucleares e pediu ao governo japonês que lidere os esforços para isso. O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, afirmou que é um dever moral do país lutar para que o mundo não possua mais armas atômicas. Kan assegurou ainda que o Japão manterá seus três princípios não-nucleares, de não produzir, não possuir e não deixar transitar por seu território armas nucleares.
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