Região é alvo de disputas por fronteira.
Quando pensamos na região do Ártico, a imagem que vem a cabeça é a de um imenso espaço branco e vazio. E ela não é errada, mas o que a maioria das pessoas não sabe é que embaixo da camada de gelo podem estar armazenados bilhões em petróleo e gás natural. Toda essa riqueza, teoricamente, pertence aos países que fazem fronteira com a região. Na prática, porém, Rússia, Noruega, Canadá, Dinamarca e Estados Unidos, não conseguem se entender quanto a porção de território que cabe a cada nação.
Reunidos essa semana, em Moscou, para definir a questão da divisão do território e da cooperação nas pesquisas em busca das reservas, os países não conseguem chegar a um acordo. Enquanto isso, estimativas dão conta de que a região do Pólo Norte guarda cerca de 25% das reservas mundiais de petróleo e gás natural ainda não exploradas.
As reivindicações
Durante o encontro, Alexander Bedritsky, representante da Rússia, afirmou que o país pretende provar até 2013 que um milhão de km² do Ártico pertencem ao seu território. Segundo ele, a intenção é reafirmar os potenciais energéticos da Rússia que usará instrumentos fornecidos por acordos internacionais para comprovar que tem direito à região. Alexander afirmou ainda que não acredita na necessidade de confrontos nas fronteiras.
Outro ponto polêmico é a montanha submersa conhecida como Cordilheira de Lomonosov. Reivindicado por Moscou em 2001, o território é disputado também pelo Canadá. O pedido de integração russo, porém, foi rejeitado pelas Nações Unidas por não apontar evidencias de que o pico faz parte da plataforma continental está localizado o país.
Em 2007, uma expedição russa fixou uma bandeira de titânio no solo oceânico sob o Pólo Norte como um gesto simbólico da reivindicação. A questão ainda não foi solucionada, mas, de acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, um país precisa comprovar que uma região é extensão do seu território para ter direito de exploração sobre ela.
Recentemente a Rússia anunciou que deve investir 64 milhões de dólares em pesquisa para comprovar seu direito sobre a Cordilheira de Lomonosov. A área pode ter mais de 75 bilhões de barris de petróleo, mais do que o total das reservas atuais do país.
Convenções
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), uma nação costeira tem direito exclusivo de exploração de recursos naturais acima ou abaixo do mar até 200 milhas náuticas (370 km) além do seu país. Se as reservas naturais ultrapassarem esse território, o país precisa levar evidências científicas ao conhecimento da comissão das Nações Unidas, que pode recomendar um novo limite.
Outras Disputas
Este mês, Rússia e Noruega colocaram fim a 40 anos de disputa sobre as fronteiras no Oceano Ártico e no Mar de Barents. No tratado, os países dividiram uma área correspondente a metade do tamanho da Alemanha que possui cerca de 7,6 bilhões de barris de petróleo. Apesar da divisão, a Noruega deve manter seus níveis de produção de petróleo e gás.
Desde os anos 70, Estados Unidos e Canadá também disputam um território de cerca de 21 mil km² onde se estima que estejam armazenados 1,7 bilhão de metros cúbicos de gás natural e mais de 1 bilhão de metros cúbicos de petróleo.
Cooperação Internacional
O encontro, que reúne 300 representantes dos países envolvidos, deve apresentar propostas de cooperação internacional para pesquisa e exploração do território. Canadá e EUA, entretanto já realizam, desde agosto, estudos conjuntos das fronteiras de cada país no Ártico.
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