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Se você leu o livro “Anjos e Demônios”, de Dan Brown, ou assistiu sua adaptação para o cinema, já deve ter ouvido falar de antimatéria. O curioso conceito de uma matéria composta de átomos com cargas trocadas não foi inventado pelo escritor. Ao contrário, ele é bem real e pode guardar algumas respostas importantes sobre o surgimento do Universo.
Recentemente, um grupo internacional de cientistas anunciou ser capaz de recriar núcleos de antimatéria em laboratório. Com 584 pesquisadores de 12 nacionalidades diferentes, incluindo professores brasileiros da USP e da Unicamp, o grupo utilizou o Colisor de Íons Pesados (RHIC), em Long Island (EUA), para a experiência.
No princípio...
Segundo os cientistas, após o Big Bang foram criadas quantidades iguais de matéria e antimatéria. Por um motivo que os especialistas não sabem ainda explicar, a matéria prevaleceu e a antimatéria diminuiu progressivamente até desaparecer. E justamente esse fato possibilitou o surgimento do Universo já que matéria e antimatéria se aniquilam mutuamente.
Mas, o que é exatamente antimatéria? Para responder a essa pergunta é preciso entender primeiro como é formado o seu oposto. Sabemos que a matéria é constituída por átomos que, por sua vez, são compostos de um núcleo positivo, onde se localizam os prótons, e da eletrosfera, região onde giram diminutas partículas com carga negativa conhecidas como elétrons. A antimatéria é, então, a matéria com carga invertida, ou seja, ela é formada por partículas com cargas elétricas trocadas onde o núcleo do átomo é negativo (composto pelos antiprótons) e a eletrosfera é positiva (composta pelos pósitrons).
A recriação
Para recriar a antimatéria os cientistas aceleraram o núcleo dos átomos até uma velocidade próxima à da luz. O passo seguinte foi chocá-los, pois as colisões liberam grandes quantidades de energia que “quebram” os átomos em subpartículas. Quando o choque é forte o suficiente, essas subpartículas são de antimatéria. Mas, apesar de comemorada, a descoberta ainda precisa de alguns aperfeiçoamentos já que a antimatéria produzida dessa forma dura frações de segundo antes de se desintegrar.
Ainda assim, aos poucos os cientistas estão conseguindo construir pedaços inéditos de antimatéria. A última edição da revista “Science” publicou um artigo sobre a produção de um antinúcleo de hidrogênio superpesado. Até hoje, foram poucos os experimentos que conseguiram energia o suficiente para produzir átomos inteiros de antimatéria, já que antiprótons e antinêutrons se aniquilam antes de formarem um núcleo.
Geralmente não vemos muita utilidade em experimentos desse tipo, mas, com certeza Thomas Edison e Graham Bel enfrentaram ceticismo com relação à lâmpada elétrica e ao telefone, respectivamente. Assim como hoje não conseguimos imaginar a vida sem essas duas invenções, é cada vez mais importante descobrir como ocorreram os eventos que deram origem ao Universo, para, no mínimo, entender melhor o que se passa ao nosso redor.
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