O Dia Internacional da Mulher é tempo adequado para se voltar a pensar, refletir e por que não? escrever sobre esta metade da humanidade da qual faço parte e que parece ter-se decidido a sair do armário e mostrar a que veio em nossos conturbados tempos cambiantes, líquidos e movediços.
Ao longo de toda a tradição cristã, o apego à riqueza, o acúmulo de bens, foi visto como perigo e maldição, devendo ser cuspido da boca dos discípulos de Jesus sem complacência. Seu risco para o ser humano é tal que foi identificado como ídolo e chamado com nome próprio: Mamon. E o significado é claro: o dinheiro pode converter-se em divindade, em senhor de nossas vidas. E se pretende assenhorear-se de nós, rivalizando com o Deus verdadeiro, é um ídolo e como todos os ídolos, conduz à morte.
Nem tudo é Deus, mas Deus se revela em tudo. Nossa visão religiosa é agora pananteísta. Não confundir com panteísta. O panteísmo diz que todas as coisas são Deus. O pananteísmo, que Deus está em todas as coisas. Nele vivemos, nos movemos e existimos, como disse Paulo. E Jesus nos ensina que Deus é amor, essa energia que atrai todas as coisas, desde as moléculas que estruturam uma pedra às pessoas que comungam um projeto de vida.
Por que há tanta corrupção no Brasil? Temos leis, sistema judiciário, polícias e mídia atenta. Prevalece, entretanto, a impunidade a mãe dos corruptos. Você conhece o nome de um notório corrupto brasileiro? Ele foi processado e está na cadeia?
O Haiti existe? Hoje, sim. Mas, e antes de ser arruinado pelo terremoto? Quem se importava com a miséria daquele país? Quem se perguntava por que o Brasil enviou para lá tropas a pedido da ONU? E agora, será que a catástrofe - a mais terrível que presencio ao longo da vida é mera culpa dos desarranjos da natureza? Ou de Deus, que se mantém silencioso frente ao drama de milhares de mortos, feridos e desamparados?